O luto que mora na vida

“Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados” (Mateus 5:4).

Ninguém gosta de falar sobre a morte. Muito menos sobre o luto. Talvez porque, no fundo, a gente acredite que, se não disser, não acontece. Mas acontece. Acontece sem pedir licença, sem olhar pra agenda, sem combinar antes. Acontece porque faz parte. Porque viver também é, inevitavelmente, aprender a se despedir.

Existe a morte que chega como quem apaga uma luz, de repente, sem aviso. E há aquela que vem devagar, aos poucos, como quem vai fechando as cortinas de um espetáculo que a gente não queria que acabasse. Existe o luto da ausência eterna, aquele que grita no vazio que fica. E existe o luto em vida, das mudanças que rasgam nossos planos, dos finais que a gente não escolheu. Ou, às vezes, até escolheu… e a dor veio como consequência.

E, sinceramente, não sei se existe uma dor que dói mais. Sei que dói. E que precisa doer. Precisa ser sentida, atravessada, respeitada. Porque fingir que não dói não faz passar. Só adia. Mas, mesmo no meio da dor, eu escolho enxergar. Porque eu vejo. Vejo o cuidado de Deus nas coisas que só quem vive percebe. Nos detalhes que, pra quem não entende, podem até passar despercebidos, mas que pra mim são milagres disfarçados de rotina.

Porque Ele sempre está lá. Nos detalhes, no silêncio, na mão que sustenta a dor que só Deus alcança.

Agora, enquanto escrevo esse texto, me encontro diante desse verbo que parece bonito de dizer, mas pesado de carregar: ressignificar. Preencher os espaços que ficaram grandes demais. Redesenhar a vida, que, sem pedir, virou outra. Trocar o silêncio por memória. Trocar presença por saudade.

A vida é esse ciclo que não espera nossa permissão. Só nos oferece escolhas. E eu escolho. Escolho não ficar onde adoece. Escolho viver a dor — inteira, honesta. Mas não cultivo ela. Cultivo amor, fé e a certeza de que, quando tudo muda, Deus permanece o mesmo.

Hoje dói. Amanhã… só Deus sabe. Mas, mesmo sem saber, eu confio. Porque quem ama, mesmo que doa, sabe: o amor nunca acaba. Ele só muda de forma.

Eu escrevo para o seu luto, para a sua dor, para a sua saudade.
Eu fico com a minha, daqui.

No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser. 

Love love love, Lu.

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