Kairós

A vida nem sempre respeita o relógio que carregamos no pulso. E, convenhamos, quase nunca respeita o calendário que traçamos com tanto afinco na cabeça e no coração. A gente planeja, se antecipa, sonha com prazos e metas, mas o tempo, meus queridos, sempre insiste em nos lembrar que não é controlável.

Existe um tempo chamado Chronos. É o tempo das agendas, dos compromissos, dos prazos e relógios que apitam. É o tempo humano, linear, que mede a vida em segundos, minutos e horas. O tempo que nos dá a ilusão de domínio, de que, se fizermos tudo “certo”, as coisas acontecerão exatamente como previmos.

Mas existe outro tempo. Um tempo que não se mede, mas se discerne. Um tempo que não segue lógica, mas propósito. Esse tempo se chama Kairós: o tempo de Deus.

Enquanto o Chronos nos cobra produtividade, o Kairós nos convida à confiança. E aí mora o desafio: confiar não apenas quando tudo flui, mas principalmente quando tudo atrasa, ou muda de rumo e bagunça a agenda. Confiar quando o “não” vem sem explicação. Quando o “ainda não” parece um “nunca”. Quando o que planejamos se desfaz diante dos nossos olhos como areia entre os dedos.

A fé, nesses momentos, é testada não apenas na espera, mas na entrega. Porque não basta dizer que confiamos em Deus se, na primeira contrariedade, nos revoltamos. Se não conseguimos agradecer nem pelo que não entendemos. Se ainda insistimos em viver presos ao nosso Chronos, mas pedimos que Deus nos abençoe com o Kairós.

Viver pela fé é, todos os dias, escolher descansar no tempo que não controlamos. É parar de exigir de Deus a velocidade do nosso relógio e começar a observar os sinais do tempo d’Ele que, embora muitas vezes pareça tardio, é sempre perfeito.

É difícil, sim. Somos humanos. Impacientes, ansiosos, emocionais e mimados. Mas é nesse território frágil que a fé cresce mais forte. Quando deixamos de medir a vida por prazos e começamos a vivê-la como um caminho guiado, não por ponteiros, mas por propósitos eternos. Entre o Chronos que pressiona e o Kairós que transforma, seguimos tentando. E, quando conseguimos apenas crer, mesmo sem entender, é aí que, de fato, entregamos.

“Porque a visão ainda está para cumprir-se no tempo determinado (kairós); ela se apressa para o fim e não falhará; se tardar, espera-o, porque certamente virá, não tardará.” (Habacuque 2:3)

No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus, diz que é para ser.

Love love love, Lu.

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