Desde o começo do ano, fiz um pacto comigo mesma: escrever ao menos uma crônica por semana. Por paixão, por hobby, por propósito. Mas, acima de tudo, por disciplina. Um compromisso possível, do tipo que cabe dentro da rotina sem pedir licença demais, mas ainda assim me puxa adiante. Um mínimo viável (conceito que aplico a tudo na minha vida) que me manteria perto do que amo e, quem sabe, me levaria a um novo livro.
Hoje, ao abrir o blog onde hospedo essas crônicas, enquanto elas ainda não ganham capa e cheiro de livro impresso ou digital, percebi que já são 65. Sessenta e cinco. Mais de uma por semana. Nem percebi. Foi fluindo. Sem cobrança, com rotina. Com cadência.
E aí está algo que tenho aprendido com a escrita e com a vida também: a cadência importa mais do que o sprint. A permanência vale mais do que alguns momentos de intensidade. É bonito viver grandes picos, claro. Mas o que sustenta o sonho é a constância.
Eu sou intensa. Sempre fui. E acho que continuarei sendo. Mas deixei de ser ansiosa. E isso tem me ensinado a permanecer. A aceitar o tempo de Deus. A descansar também enquanto caminho e busco os meus sonhos.
É melhor caminhar firme com passos constantes do que dar tiros de 100 metros e terminar esgotada. Prefiro chegar mais inteira do que mais rápido. Tenho aprendido isso também com a Bíblia. A Palavra não se entende com pressa. Não tem como encurtar caminho, nem fingir profundidade. Um capítulo por semana. Às vezes, só alguns versículos. Estabelecer mínimos que cabem na rotina é o que me mantém conectada com o que é eterno. Não é sobre quantidade, é sobre presença. Sobre dar espaço para que a semente germine no tempo certo.
A disciplina do estudo bíblico não tem atalho. Mas tem frutos. E eles vêm (como tudo o que é verdadeiro) com o tempo, com prática, com permanência. Talvez você também precise ouvir isso hoje. Que não é sobre fazer muito de uma vez, é sobre fazer um pouco todos os dias. É sobre seguir, mesmo quando não parece grandioso. Alimentar a sua paixão, sua fé, sua missão, sem se afastar dos outros compromissos. Continuar construindo o seu sonho, sem pressa, mas sem pausa.
Daqui a dois meses, sem alarde, terei escrito material suficiente para mais um livro. Sem abrir mão de nenhuma outra parte da vida. E isso, pra mim, já é vitória.
Talvez você esteja tentando escrever um livro. Ou voltar a pintar. Ou estudar algo novo. Ou só tentando se reencontrar com Deus. Não precisa começar correndo. Só começa. E depois… permaneça.
No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser.
Love love love, Lu.
