Tem dias em que a boca parece mais pesada que o coração. A tristeza, a raiva, a indignação, tudo pede passagem, e nós, humanos, abrimos a porta. Faz parte. Somos carne, somos emoção. Mas até onde é saudável deixar que a dor ou a indignação se espalhe?
“Em toda circunstância, dai graças.” (1 Tessalonicenses 5:18). Talvez seja uma das orações mais difíceis de se viver. Ontem, no culto, ouvi esse versículo em um testemunho emocionante. Aquilo me atravessou. E hoje de manhã, ao devorar metade do livro A Quarta Dimensão, percebi como tudo se conecta: o testemunho vivido e a leitura que fala sobre o poder da palavra proferida. É como se Deus tivesse costurado os pontos, mostrando que nada do que professamos é neutro. Nada.
Eu acredito muito nisso. Tenho horror a certas palavras, como “odeio”, “maldito”, “desgraça”. Não saem da minha boca e não gosto nem de ouvir. Ainda tem outras… e tudo bem reclamar, mas viver reclamando só piora a energia. A palavra não é apenas som. É semente. O que falamos em oração ou no correr do dia molda nossa atmosfera, influencia nossos pensamentos, muda a direção daquilo que vivemos. A forma como você chega em um ambiente muda a sua experiência. É como um volante: aquilo que sai da nossa boca conduz o carro do coração.
O murmúrio, por sua vez, é veneno lento. Reclamar constantemente não resolve, apenas aprisiona. Alimenta a mente com escassez, trava o espírito na incredulidade. É como plantar espinhos esperando colher flores. Mas quando escolhemos professar esperança, mesmo com a voz trêmula ou no meio da indignação e da tristeza, algo se move. Não é negar a dor, mas decidir que ela não terá a última palavra. É transformar um “não aguento mais” em:
“Tudo posso naquele que me fortalece.” (Filipenses 4:13)
“Os que esperam no Senhor renovam as suas forças.” (Isaías 40:31)
“Elevo os meus olhos para os montes: de onde me vem o socorro? O meu socorro vem do Senhor.” (Salmos 121:1-2)
“A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” (2 Coríntios 12:9)
“Seja forte e corajoso, pois o Senhor estará com você.” (Josué 1:9)
É aprender que gratidão não é emoção: é disciplina.
Talvez o verdadeiro poder esteja nisso: em falar vida quando tudo ao redor insiste em anunciar morte ou fraqueza. Em professar fé no invisível, ainda que o visível seja duro demais. É neste espaço, entre a lágrima que cai e a palavra que profetiza que Deus age.
A vida pode ser e estar difícil, mas declarar apenas a dificuldade não a torna mais leve.
No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser.
Love love love, Lu.
