O Deus que se revela

Não faz muito tempo escrevi uma crônica cujo título era: “Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas?”. E talvez o de hoje, de certa forma, seja um complemento.

Uma das coisas que mais me entristecem é ver a ausência de Deus na vida das pessoas, ou a ausência de Deus como Ele realmente é. Há dias e situações que me deixam abatida. Não pela falta de fé em mim, mas pela ausência de fé que vejo em tantos. Pessoas que amo, que admiro, mas que ainda não conheceram o meu Deus. Talvez nunca tenham sido apresentadas a Ele de verdade; ouviram apenas versões distorcidas, limitadas, superficiais.

Muitas vezes escuto frases carregadas de indignação:
“Por que Ele permite que crianças sofram, que animais padeçam, que a injustiça continue?” E eu entendo. O sofrimento dói. A injustiça machuca. Mas a verdade é que o mal não nasceu em Deus. Ainda assim, alguns imaginam Deus como um mestre distante, quase um manipulador que brinca com bonecos. Como se Ele devesse viver para satisfazer o nosso bel prazer. Mas Deus não é assim.

Meu desejo mais profundo é que todos possam conhecê-Lo como eu tenho conhecido: desfrutar do Seu amor, da Sua presença, da paz que invade até quando o mundo parece desmoronar. Essa paz que aquieta a ansiedade, que se torna antídoto perfeito para sobreviver num mundo mal.

O mal existe não porque Deus seja egoísta, mas porque nos deu a liberdade de escolher, de amar, de viver. E junto da liberdade vêm as consequências. Ainda assim, mesmo diante do mal e da dor, Ele nunca deixou de estar presente. É no meio do sofrimento que mais vemos o Seu amor se manifestar. Deus não se escondeu. Ele se fez homem, chorou, sofreu, foi injustiçado e morreu numa cruz. E ao ressuscitar, mostrou que o mal não tem a última palavra. Então, quando alguém pergunta: “Por que o mal existe?” eu respondo: porque há liberdade. “E por que Deus permite o sofrimento?” Para que possamos descobrir que a dor não é o fim, mas o lugar onde a graça floresce. Mas como caminhar desse ponto de indignação até a fé?

O caminho começa com a busca. Deus não se impõe, Ele se revela a quem O procura. “Buscai e achareis” (Mateus 7:7). O primeiro passo é abrir-se à possibilidade de que Ele é real. O caminho continua com o encontro. Jesus não é um conceito, é uma pessoa viva. Conversar com Ele em oração, mesmo sem saber orar direito, é um começo. Ler os Evangelhos é como se sentar à mesa com Ele. Ali vemos o Deus que cura, perdoa, abraça e dá sentido.

O caminho se fortalece na entrega. Quando reconhecemos que não damos conta sozinhos e dizemos: “Senhor, eu preciso de Você”, algo muda. Ele não promete ausência de dor, mas promete presença constante: “Eis que estarei convosco todos os dias” (Mateus 28:20). E o caminho floresce na comunidade. Ninguém caminha sozinho. A fé cresce quando partilhada. Estar perto de outros que também buscam a Deus fortalece, consola e ensina. Igrejas, grupos, amizades que edificam esse relacionamento.  Ainda assim, muitos dizem: “Eu acho linda a sua fé, mas eu não consigo.”


E eu respondo: não se trata de conseguir. Trata-se de abrir o coração. O resto, Jesus faz. Porque “não consigo” é uma prisão que nós mesmos criamos. Não existe limite para Aquele que venceu a morte. O amor de Jesus é a porta aberta, a mão estendida, a paz que excede todo entendimento, mesmo quando nada faz sentido.

Sim, o sofrimento é inevitável. As perdas chegam. As injustiças nos machucam. Mas em Cristo descobrimos que não caminhamos sozinhos. Que existe um propósito maior que a dor. Que existe esperança onde só havia desespero. Não tenho ainda toda a base teológica para debater cada argumento. Mas sei de algo maior do que qualquer raciocínio: eu experimentei o amor de Deus. E uma vida transformada fala mais alto que qualquer lógica.

Meu desejo mais profundo é que todos possam conhecê-Lo. Que encontrem em Jesus não apenas respostas, mas vida. Que percebam que Ele não é uma ideia bonita, mas uma presença real, capaz de restaurar o que parecia perdido. E por isso oro: que minhas palavras, mesmo pequenas, apontem para Ele. Que minha vida, mesmo imperfeita, reflita a Sua graça. E que cada pessoa que cruzar o meu caminho possa enxergar no meu olhar um vislumbre do amor que não tem fim.

Porque no fim, vale a pena. Vale cada passo, cada entrega, cada renúncia. Pois não há caminho melhor do que andar com Aquele que nos criou para sermos livres e, sobretudo, amados.

No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser. 

Love love love, Lu.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Luísa Peleja ® 2025. Todos os direitos reservados.