A maternidade e o evangelho

Existe um tipo de amor que a gente só entende quando vive. Antes eu achava que entendia sobre o amor de Cristo, um amor que se entrega, que se doa, não cobra, que permanece. Mas, na verdade, eu acreditava. Entender é diferente. Foi na maternidade que esse entendimento, essa crença deixou de ser teórica.

Jesus nos amou sem esperar nada em troca. E, de alguma forma, é isso que uma mãe vive todos os dias. Não existe negociação, nem cálculo e nem “se você fizer, eu faço”. É apenas uma entrega. E é justamente nesse tipo de entrega que o evangelho ganha forma diante dos nossos olhos.

Quando olho para essa entrega materna, é impossível não lembrar do que está escrito em Mateus 16:24: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. A maternidade também nos faz esse convite. Ou também do que Paulo escreve em Romanos 5:8: “Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores”. Jesus não apenas falou sobre amor, Ele encarnou esse amor até o fim, se entregando por nós mesmo quando ainda não éramos capazes de compreender ou retribuir. Na cruz, Ele revelou um amor que não depende da resposta humana para existir, um amor que decide ficar, permanecer e salvar.

Claro que nada se compara ao que Jesus fez por nós, mas acordar no meio da noite sem reconhecimento, abrir mão de si mesma sem esperar nada em troca. Cuidar, proteger, sustentar… mesmo quando ninguém vê é ter um gosto disso. E o mais curioso é que a recompensa não vem como o mundo ensina. Não é palpável, nem proporcional ou imediata. É apenas a paz de ver o filho bem, seguro e feliz, ou receber aquele sorrisinho que nos desmonta inteira. E isso basta…não porque seja pouco, mas porque é tudo o que importa.  A maternidade revela um tipo de amor que não depende da resposta do outro para continuar existindo. Um amor que permanece mesmo quando não é correspondido na mesma medida, mas que decide ficar.

Viver a maternidade, mesmo com pouco tempo, tem me feito chegar mais perto de entender o evangelho. O amor de Deus por nós nunca foi por merecimento, mas por graça. Amar primeiro, dar antes de receber, se entregar sem garantia de retorno. Ser mãe é, todos os dias, o lugar do sacrifício que ninguém contabiliza, da doação que não exige reconhecimento e do amor que não se mede. E, no meio dessa rotina, às vezes cansada, existe algo profundamente sagrado acontecendo. O amor mais parecido com o de Cristo que já experimentei.

No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser.

Love love love, Lu. 

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