Como eu posso ser triste se esse ano eu…

Todo ano surge uma nova onda nas redes sociais, algo que nos conecta em um fio de humanidade compartilhada. Em 2024, foi a vez de “Como eu posso ser triste se esse ano eu…”. Uma simples frase que nos obriga a olhar para trás e resgatar momentos de gratidão, mesmo em meio ao turbilhão que é viver. Porque a vida, afinal, não é linha reta: é dança, cheia de doçura e caos, desafios e deleites. Um exercício honesto de escolher onde colocar a lupa — no brilho ou nas sombras.

Eu poderia listar minhas lutas, e elas foram muitas. Momentos de quebrantamento que pareciam insuportáveis. Chorei muito de felicidade e também como uma filha que recorre ao pai diante dos desafios. Mas hoje, ao fazer esse balanço, percebo que foi justamente no caos que as bênçãos se revelaram mais intensas.

Este ano, sarei feridas. Me perdoei. Cheguei mais perto da minha família e, como nunca, do meu irmão. Não só vi sua jornada de cura, como pude participar dela, lado a lado. Nossa conexão foi uma vitória silenciosa, mas poderosa. Fortaleci meu relacionamento. 

Renasci em Cristo. Aprendi a ler a vida com as lentes do Espírito Santo e não mais com os olhos turvos do mundo. Encontrei conforto e força na Bíblia, e isso moldou meu olhar para tudo ao meu redor.

Fiz viagens que guardarei com carinho. Vi lugares novos e voltei a outros já conhecidos, mas com olhos renovados. Criei uma comunidade (ALÔ COMU!) que não apenas me ensinou, mas fortaleceu laços que nunca imaginei. Mantive minha rotina de escrita semanal — espaço onde minha criatividade voou livre. Encerrei meu terceiro livro. Corri minha primeira meia maratona. Superei limites que, até então, eu mesma me impunha. Mantive os treinos, me mantive saudável e não adoeci e me senti mais forte, mesmo nas pequenas vitórias.

Tive desafios profissionais, daqueles que testam até onde podemos ir. Mas, de mãos dadas com duas equipes incríveis, cresci, aprendi e entreguei trabalhos cheios de propósito. Lancei o ExTrago, mais um projeto que fez meu coração bater mais forte e está só no começo.

E, no meio disso tudo, tive o privilégio de ser generosa: com a igreja, com pessoas, com causas que me moveram. Conheci gente nova, vivi momentos maravilhosos no Rio de Janeiro, realizei um sonho de assistir Andrea Bocelli cantar ao vivo.

Sim, a vida não é linear. É um mosaico – por vezes estranho –  de momentos doces e amargos, um equilíbrio constante entre o caos e a calmaria. 

Talvez a felicidade esteja exatamente nisso: na capacidade de dançar, mesmo que a música mude de repente (e ela muda!!), e de enxergar, mesmo em dias cinzas, que sempre há luz para quem escolhe olhar.

Love love love, Lu.

*Texto escrito em 2 de dezembro de 2024

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