Já morri de saudade

Despeço-me tanto que às vezes parece que meu mundo é feito de despedidas. São tantos “ate logo” espalhados em cada aeroporto, em tantos abraços que aprendi a não tratá-los mais como se fossem os últimos. Aprendi, talvez por necessidade, a viver o presente como se ele fosse tudo o que existe. Agora mesmo, acabei de me despedir da minha sobrinha, sabendo que só a verei novamente em mais de seis meses. E então, fico a imaginando: como ela estará? Como eu estarei?

Despeço-me todo fim de semana. Das amigas, dos meus pais, do amor. A saudade, essa velha conhecida, tornou-se uma companheira constante. Mas não é mais aquela saudade que pesa, que sufoca. Precisei aprender a conviver com ela. Ressignifiquei-a. Redirecionei-a. Há mais de seis anos fiz uma escolha: abracei a saudade quando decidi abrir mão da minha base, daquilo que me era mais seguro. Desde então, me divido em pontes aéreas, me espalho por mapas, multiplico abraços que duram minutos, mas ficam para sempre.

Fiz muitas renúncias. Cada uma delas me ensinou que renunciar é também aceitar a saudade como uma parte inevitável da vida. E, mais do que isso, como um sinal de que algo foi vivido com tamanha intensidade que marcou o coração para sempre. Porque sentir saudade é lembrar. E lembrar é preservar aquilo que nos fez feliz.

Hoje, encaro a saudade com outros olhos. Não mais como uma dor, mas como uma confirmação de que tudo valeu a pena. Cada despedida carrega uma promessa de reencontro, mesmo que incerto. E, entre um adeus e outro, sigo vivendo, sentindo, marcando a vida com momentos que, mais tarde, virarão memórias. A saudade, afinal, é isso: o preço que pagamos pelas histórias que decidimos guardar.

A saudade já teve um gosto amargo, mas hoje é memória doce. Porque o tempo transforma a dor em carinho, e cada lembrança em um pedaço de quem somos.

Love love love, Lu.

*Texto escrito em 30 de dezembro de 2024

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