Era uma manhã comum em Atlântida, Rio Grande do Sul. Um sábado qualquer de dezembro, mas com aquele toque especial que a proximidade do fim de ano costuma trazer. O vento soprava forte, e eu me deixava embalar pelo ritmo desacelerado da praia olhando para o nada quando, deitada sobre a minha canga, uma pequena joaninha pousou no meu chapéu.
Instintivamente, estendi o dedo para que ela subisse. Sempre faço isso e todas as vezes a minha alegria é quase infantil. “Sorte”, dizem por aí. E eu acredito. Peguei o celular para fazer o registro.
No meio daquela imensidão de areia, mar e vento, a joaninha decidiu repousar ali, em mim. E não era uma joaninha qualquer; suas bolinhas brancas a tornavam mais rara que as comuns. Não pensei se era macho ou fêmea, jovem ou idosa. Naquele momento, não me atentei aos detalhes e interpretações, apenas me apeguei pelo significado que aquela visita poderia carregar.
Depois, ao assistir ao vídeo que gravei, comecei a pensar. Seria um sinal? Um recado de Deus a algo ainda mais íntimo que está presente em minhas orações e tem a ver com a joaninha? A verdade é que muitas vezes estamos inclinados a buscar significados em tudo o que nos acontece. Somos movidos pela necessidade de entender, de conectar os pontos entre o visível e o invisível.
Mas sei que a sabedoria está em equilibrar. Nem tudo é um sinal, mas há sinais que não podemos ignorar.
“Filha, esse silenciar seu, essa intimidade com Deus faz com que interprete os sinais”, disse minha mãe. Ela tinha razão. Interpretar é também um ato de entrega. De estar aberta ao que Deus pode revelar, mas sem se tornar refém de interpretações excessivas.
A joaninha me fez pensar sobre a importância de estar limpa por dentro, atenta ao essencial. Estar aberta, sim, mas com o discernimento que vem da fé e da conexão com o Criador. A humildade de entender que nem tudo depende de nossos olhos, mas dos olhos de Jesus. É Ele quem guia nossos passos e dá sentido aos sinais que encontramos pelo caminho.
Há algo de encantador em se abrir para o mistério, para aquilo que não se pode explicar de imediato. Contudo, é preciso também cultivar a capacidade de distinguir o essencial do acessório. A energia que carregamos, a disposição para ouvir e perceber: isso faz toda a diferença.
Deixei a joaninha ir, mas me apeguei a boa sorte que ela pode me trazer. Sobre o outro aspecto do sinal, somente o futuro e Deus poderá dizer. A reflexão que fica.
Afinal, o que você está pronto para receber? Quais sinais você está disposto a notar? Que sua resposta seja guiada pelo coração, mas acima de tudo, pelos olhos de Jesus.
Love love love, Lu.
*Texto escrito em 3 de janeiro de 2025
