A diferença entre o velho e o novo homem

Por muito tempo, olhei para o Antigo Testamento com desconfiança. Parecia um livro pesado, repleto de guerras, leis severas e um Deus que exigia obediência de maneira agressiva. Lendo sem contexto, cheguei a pensar que Deus era cruel. Onde estava o amor de que tanto falavam? Era mais fácil dizer que ler a Bíblia era difícil e que ela me distanciava de Deus. Mas então, comecei a estudar. De verdade. A me permitir enxergar além da superfície, que eu até então achava ser suficiente.

E foi aí que percebi: o Antigo Testamento não é sobre um Deus severo e o Novo sobre um Deus bonzinho. Deus é o mesmo. A diferença está em nós. O Antigo Testamento é um reflexo do coração humano antes de Cristo. A autossuficiência que gritava, a idolatria pelas coisas do mundo predominava, e a desobediência era o padrão. Deus, como um Pai que ensina, precisava usar a disciplina para mostrar ao Seu povo o caminho. “Porque o Senhor repreende a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem.” (Provérbios 3:12) O povo de Israel viu milagres, atravessou o mar aberto, recebeu o maná no deserto e, ainda assim, não parava de reclamar e se voltava para outros deuses.

E hoje? Não somos assim também? Deus nos livra, nos sustenta, nos abençoa e, ainda assim, confiamos mais em nosso próprio entendimento, idolatramos dinheiro, status, relacionamentos. Tornamo-nos escravos do que vemos, e não do que cremos. “Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento.” (Provérbios 3:5) Então, vem Jesus. E com Ele, um amor que constrange, uma graça imerecida, um favor que não se compra, apenas se recebe. De repente, obedecer a Deus não é mais um peso, mas um privilégio. Não seguimos a Deus porque tememos ser castigados, mas porque queremos estar perto d’Ele. “Nós amamos porque ele nos amou primeiro.” (1 João 4:19)

O Antigo Testamento nos ensina o temor, a disciplina, a necessidade de um Salvador. O Novo Testamento nos dá o Salvador e, com Ele, a transformação. Hoje, vejo pessoas que ainda vivem no Antigo Testamento. Vivem na dureza do próprio coração, na autossuficiência, na infidelidade a Deus, no medo e na tentativa de se justificar pelas próprias obras. Quem aí se identifica com esse lugar?! E vejo os que entenderam o Novo Testamento. Aqueles que foram tocados pelo amor de Cristo e, por isso, escolheram segui-Lo. Porque quando você se encontra com Jesus, obedece não porque é mandamento, mas porque quer. 

O amor d’Ele muda tudo. “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer.” (João 15:15)

A diferença entre o Antigo e o Novo Testamento? A chegada e a aceitação de Jesus. A diferença entre o velho e o novo homem? A decisão de deixar de ser apenas servo para se tornar amigo.

No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser.

Love love love, Lu.

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