Você pode chamar de sorte, de acaso, de coincidência. Mas eu chamo de Deuscidências. Porque não há sorte quando se trata da soberania divina. Recentemente li esse termo em um livro e aderi.
Há mais de dez anos, eu me inscrevi para um estágio na Globo. Passei por todas as etapas, fiz os testes, sonhei com a aprovação. Mas o “não” veio, seco e definitivo. Fiquei arrasada. Chorei, questionei, tentei entender onde tinha falhado. O tempo passou e, hoje, ao olhar para trás, percebo que aquele “não” era, na verdade, um “sim” para tudo o que veio depois. Se eu tivesse sido aprovada, minha vida teria tomado um rumo completamente diferente. Não teria conhecido pessoas essenciais para a minha vida, não teria feito escolhas que moldaram quem sou. Deuscidência.
Quantas vezes você já viveu algo que parecia uma frustração, mas depois se revelou uma bênção disfarçada? O voo que não decolou no horário e evitou um acidente. Um “rolê” aleatório que te apresentou pessoas importantes. O emprego dos sonhos que não veio, abrindo espaço para uma oportunidade ainda melhor. O relacionamento que desmoronou, mas preparou seu coração para algo grandioso.
Luciano Subirá disse em uma pregação recente: Deus trabalha de maneira invisível. Muitas vezes, achamos que Ele está ausente, mas Ele está escrevendo a história com perfeição. A cruz é o maior exemplo disso. Satanás pensou que estava derrotando Jesus ao levá-lo à crucificação, mas era justamente ali que Deus consumaria o plano da salvação. O diabo achou que estava vencendo, mas foi usado como peça no tabuleiro divino.
E quantas vezes acontece o mesmo em nossa vida? O que parece uma derrota é, na verdade, um passo estratégico de Deus. Confia. José foi vendido como escravo pelos próprios irmãos. Sofreu horrores injustamente, mas no fim, tornou-se governador do Egito e salvou sua família da fome. O que era mal se transformou em bem. Deuscidência.
Deus nunca perde o controle. Ele usa até mesmo as trevas para cumprir Seus propósitos. Permitiu que Satanás tocasse a vida de Jó, mas colocou limites. No final, restaurou tudo em dobro. O próprio Pedro, um dos maiores líderes da Igreja, foi peneirado pelo diabo, mas Jesus já intercedia por ele. Nada escapa ao olhar de Deus. Costumo dizer que o Roteirista não falha e é criativo.
As demoras, os tropeços, os recomeços. Tudo tem um tempo certo. Somos ansiosos, queremos entender o porquê de tudo no exato momento em que acontece. Mas a verdade é que, muitas vezes, só compreendemos anos depois. E então, suspiramos e dizemos: “agora faz sentido. Agora eu vejo. Agora eu entendo.” Deuscidência.
É difícil e dói admitir que certos sofrimentos são permitidos por Deus, mas são. Ele nunca nos prometeu a ausência de problemas, nos prometeu companhias e cuidado. Enquanto você respira, a história não acabou. O que hoje parece uma porta fechada, pode ser apenas Deus te guiando para um caminho melhor. Ele enxerga o que não vemos, sabe o que não sabemos. Mais uma vez, confia. No tempo certo, a resposta virá. Escrevo para me lembrar.
Tudo sempre esteve no controle dEle e sempre está.
No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é pra ser.
Love love love, Lu.
