Escuta aqui

A pessoa na sua frente não te deixa falar, ou, no meio de um desabafo, ela começa a contar uma história sobre ela e o foco se perde completamente. Ou então, em uma reunião, uma das pessoas não te deixa concluir o que está dizendo, interrompendo com achismos e tentando adivinhar o final da conversa. E tem ainda aqueles momentos em que você fala com alguém e ela está mais interessada no celular do que em te ouvir. Você certamente já se viu em uma dessas situações. 

A falta de escuta é reflexo da impaciência, do imediatismo e da multiplicidade de atividades que a vida exige. Mas, mesmo assim, nada justifica o comportamento. Como isso é cansativo! Todos nós já passamos por essas situações – seja sendo a pessoa interrompida ou, quem sabe, sendo a que interrompe. 

Confesso que, ao escrever sobre isso, me identifiquei não apenas como alguém que já foi interrompida, mas também como a pessoa que interrompe, a apressada, a que quer resolver tudo rápido, pra ontem. Reconhecer isso dói, mas acredito que a verdadeira mudança só acontece quando somos vulneráveis o suficiente para enxergar nossas próprias falhas.

Quantas vezes pedimos a Deus paciência, sabedoria, ou que sejamos melhores em alguma área? O que Ele nos dá não é uma resposta pronta, mas situações desafiadoras para que possamos desenvolver essas virtudes. A questão é que precisamos de sensibilidade espiritual para perceber esses momentos. E, mais importante, devemos estar prontos para aceitar que o que pedimos em oração vem com bônus e ônus.

Eu pedi para ser uma melhor ouvinte e, para minha surpresa, Deus colocou em minha vida diversas situações onde tenho que lidar com pessoas com comportamentos exatamente como os que mencionei. São momentos que me incomodam profundamente, mas que, no fundo, me ajudam a enxergar a necessidade de mudar minha postura, de parar e realmente ouvir. Pois acabo me enxergando ali. 

“Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar” (Tiago 1:19). Essa passagem nos lembra que a paciência e a escuta são virtudes valiosas. Se antes eu era apressada para falar, agora tento, a cada dia, ser mais atenta ao que o outro tem a dizer. Cada momento de interrupção é uma oportunidade de refletir sobre minha própria atitude. 

“Quem guarda a boca e a língua guarda a sua alma das angústias” (Provérbios 21:23). A sabedoria nos ensina a importância da escuta, não apenas como um ato de educação, mas como um caminho para a paz. No fundo, todos querem ser ouvidos, receber atenção, e isso vale mais que ouro. Quando conseguimos parar para ouvir de verdade, estamos não só aprendendo a ser mais sábios, mas também a oferecer ao outro aquilo que ele mais precisa: alguém disposto a ouvir sem pressa, sem interrupções.

Nenhuma mudança acontece da noite para o dia. Mas reconhecer que preciso melhorar já é um passo significativo. Estou aprendendo que a paciência, a escuta e a sabedoria não são dádivas instantâneas, mas virtudes que, com o tempo, se desenvolvem em meio aos desafios. E a cada situação de interrupção ou falta de atenção, me dou conta de que Deus me oferece, dia após dia, uma nova oportunidade de crescer e de ser uma pessoa mais atenta, mais sábia e mais paciente. Seguimos em busca da nossa melhor versão.

No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser. 

Love love love, Lu.

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