Volta pra casa, filha.

Por anos, eu fui conduzida pela minha vontade.
Ela parecia boa. Justa até. Tinha argumentos, tinha lógica, racionalidade, tinha desejo. E, na maioria das vezes, vinha coberta de um verniz de “liberdade”, como se fazer o que quero fosse, automaticamente, o que é melhor pra mim.

Mas a vontade… ah, a vontade é traiçoeira.
Ela muda de humor, não tem compromisso com o amanhã, e quase sempre é movida por carências que a gente nem entendeu direito.
Ela é inconstante, impulsiva, e quando a gente deixa que ela dirija nossa vida, quase sempre nos leva para caminhos que terminam em becos sem saída.

Foi nesse contexto, num dia aparentemente comum, que Deus sussurrou ao meu coração: “A sua vontade não deve ser maior do que a sua obediência a Mim.” Eu parei. Respirei fundo.
Porque aquilo me atravessou como uma verdade que, no fundo, eu já sabia, mas por vezes eu teimava em ignorar. A minha vontade estava me dominando.
Eu a consultava antes mesmo de consultar a Deus. Ela era meu critério de decisão.
Se eu queria, eu fazia. Se eu não queria, eu evitava. Simples assim. Só que não.

Foi então que me lembrei da parábola do filho pródigo (Lucas 15:11-32). A história daquele rapaz que, como eu, achou que a sua vontade era o que o faria feliz. Pediu sua parte da herança, virou as costas e foi viver. Livre. Dono de si. Conduzido apenas pelo que desejava.

Até que os desejos acabaram. Ou melhor: até que ele percebeu que o que desejava não era suficiente para sustentá-lo. A liberdade sem direção o levou à escassez. A vontade sem obediência o levou ao fundo do poço.
Literalmente.

E ali, entre os porcos e a saudade, ele entendeu o que talvez seja a maior lição dessa história:
A casa do Pai não é um limite. É abrigo. A vontade dele o levou para longe, mas foi a obediência que o trouxe de volta. Voltar era reconhecer que o Pai sabia mais. Voltar era render-se, não por fraqueza, mas por sabedoria. Eu me vi nesse filho. Quantas vezes saí pela porta da frente, carregando meus planos e sonhos, achando que sabia melhor do que Deus o que era bom pra mim. Quantas vezes, mesmo estando perto, vivi longe, fazendo a minha própria vontade, ainda que no nome Dele.

Mas hoje, com humildade, posso dizer: A obediência me salvou. Tem me salvado.
Ela me colocou no lugar certo, na hora certa, com a paz que a minha vontade jamais me deu.
Obedecer a Deus não é abrir mão de viver — é finalmente começar a viver como Ele sonhou.A minha vontade ainda fala, sim. Às vezes, ela grita. Mas quando ela tenta tomar as rédeas, eu lembro do sussurro que me acordou outro dia e mudou meu caminho:
“A sua vontade não deve ser maior do que a sua obediência a Deus.”

E volto pra casa.
De novo. E de novo. E de novo.
Porque o Pai nunca fecha a porta.

No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é pra ser.

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