Uma reflexão cristã sobre como transformar ativismo em comunhão verdadeira com Deus
Por muito tempo, minha rotina foi uma corrida sem linha de chegada. Acordava com o coração apressado, a mente lotada de metas, e uma lista mental que começava antes mesmo do café. Dormia com a sensação de que, por mais que eu tivesse feito, não era suficiente. Produzir virou um dever moral. Resultado, a palavra de ordem. Excelência, eu dizia. Responsabilidade. Alguém se identifica?
Até que um dia, o Espírito me desmontou com uma pergunta: “Você quer ser produtiva ou frutífera?” Me demorei nela. Porque, até então, eu achava que era a mesma coisa. Mas ali, minha alma entendeu o que o ritmo acelerado impedia de perceber: Eu estava fazendo muito, mas permanecendo pouco.
Foi então que comecei a redesenhar minha rotina. Não para fazer menos, mas para frutificar mais. E, pasmem: não fiquei menos produtiva. Fiquei mais presente. Mais conectada. Mais inteira. Antes, eu não me permitia parar. Minha mente não era prioridade, meu espírito menos ainda. Hoje, tenho uma rotina matinal que me abastece. Às vezes ela precisa mudar de horário, encurtar, mas ela existe. É inegociável. Aprendi a pausar sem culpa.
Fazer para Deus, sem estar Nele… é fazer nada. Como disse Jesus: “Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma.” (João 15:5) Percebi que, muitas vezes, meu ativismo era medo disfarçado. Medo do silêncio. Medo de parar e dar errado (pra quem mesmo?) Medo de descobrir que, sem Ele, o resto era só barulho. Frutificar é o oposto disso. Não nasce do cansaço, mas da conexão. Não é fruto de fazer muito, mas de permanecer profundamente.
Frutificar exige raiz. Intimidade. Constância. E então tudo mudou. Descobri um tipo de silêncio que fortalece mais que café. Um descanso que não é pausa do trabalho, mas reencontro com a Fonte. Uma espera que gera frutos invisíveis, mas eternos. Hoje, não é que eu faça menos. Mas sou menos levada por todos os afazeres. O que faço nasce do que sou. E o que sou nasce de Quem habita em mim. Porque o fruto verdadeiro não nasce de desempenho, mas de comunhão. Esse é o fruto que glorifica o Pai: Aquele que permanece. Que alimenta. Que transforma.
Hoje, eu não quero apenas fazer. Quero viver com Deus. Quero que cada ação venha do lugar secreto. Que cada decisão brote da permanência. Que minha vida seja uma semente: Que morre para o mundo, mas floresce para o Reino. Viver com Deus não é improdutivo. É o único jeito de gerar o que realmente dura. Vamos trabalhar, sim. Vamos agir, sim. Mas que nunca esqueçamos: Produzir é diferente de gerar frutos.
No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser.
Love love love, Lu.
