Ainda bem que eu morri

Estudar o Evangelho é viver de estalos, tapas, pontapés e puxões de orelha. E isso é mágico. É estranho falar isso, eu sei. Mas ninguém cresce passando a mão na cabeça. O cuidado de Deus não é anestesia; é cirurgia. E, às vezes, a gente só entende isso quando sente a dor do bisturi, cortando camadas que nos mantinham vivos por fora, mas mortos por dentro.

No último domingo, fui a um culto sobre contentamento. Achei que seria um tema leve. Mas foi ali, sentada no banco da igreja, que eu percebi: eu morri. Ainda bem.

O tema era sobre a vida de Paulo, o rei do contentamento. Entre definições e passos para aprender a viver contente em qualquer circunstância, encontrei explicação para o que venho vivendo. Não foi rápido, não foi fácil, mas foi definitivo e transformador. Porque contentamento não depende do que acontece fora, mas do que Cristo faz dentro. Paulo disse:

“Aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância… Tudo posso naquele que me fortalece.” (Filipenses 4:11-13)

E eu descobri que, para viver contente, eu precisei morrer.

Morri para o controle.
“Fui crucificada com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.” (Gálatas 2:20)

Não é que eu mudei. Eu morri. Os meus planos, as minhas certezas, o jeito que eu queria segurar as rédeas de tudo… morreram. Eu precisei abrir mão do controle que eu nunca tive de verdade. E, na cruz, Deus ganhou liberdade para mudar, tirar, transformar. Eu saí do centro. Eu não sou a autora da minha história. Sou ferramenta nas mãos de Deus, e Ele é o Autor do roteiro da minha vida. Quando Cristo está no centro, o caos ao redor não domina o meu interior. Eu deixei de ser o sol do meu sistema solar e deixei Jesus ocupar o lugar que sempre foi Dele.

Eu aprendi a descansei no amor que já decidiu por mim. “Eu vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.” (Gálatas 2:20) Antes de eu escolher por Ele, Ele já havia escolhido por mim. Descansar nesse amor me libertou da ansiedade de controlar tudo e do medo de perder. Não foi bonito no começo. Eu chorei. Eu questionei. Eu lutei para voltar para o centro e tomar as rédeas de novo. Mas cada vez que eu tentava, percebia que estava me afastando da paz que só existe quando a gente morre para si mesma.

Foi morrendo para mim que comecei a viver para Cristo. Foi largando o controle que encontrei paz mesmo vivendo desafios. Foi saindo do centro que descobri liberdade. E foi descansando no amor que já me escolheu que descobri que tudo posso naquele que me fortalece. Eu morri. E ganhei vida. Eu morri. E descobri contentamento.

Sim, estudar o Evangelho é levar estalos, tapas, pontapés e puxões de orelha.
Mas cada puxão de orelha é um empurrão para mais perto de Jesus.
E não existe lugar melhor para estar.


No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser. 

Love love love, Lu.

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