Ted Lasso, eu vi Cristo em você

Eu resisti a série Ted Lasso. Tudo o que eu ouvia falar era que era muito boa, muito engraçada, que falava sobre liderança, sobre masculinidade saudável. Mas eu não gosto de séries de humor, nem de séries que todo mundo gosta e preferi ignorar por algum tempo.  Até que, como quem não quer nada, apertei o play.

E o que eu encontrei não foi só humor, tampouco apenas uma aula de liderança, como tantos artigos e resenhas destacaram por aí. Eu encontrei algo muito maior. Eu vi graça.

Eu vi Cristo em Ted Lasso.

Muita gente fala das lições de liderança que a série ensina: como ele inspira, como ele transforma homens duros em homens sensíveis, como ele motiva um time desacreditado. Tudo isso é verdade. Mas não foi isso que me prendeu.

O que me prendeu foram os dons do Espírito refletidos em todos os episódios que assisti até aqui, às vezes discretamente, às vezes escancarados: Mansidão em meio ao caos, serviço sem esperar aplauso, uma generosidade que transborda, humanidade real, com falhas, crises de pânico, dificuldades no casamento, frustrações, misericórdia para quem não merece e perdão que desarma qualquer rancor.

É fácil se encantar com pessoas que são fortes, que lideram bem, que conquistam resultados. Difícil é reconhecer a força de quem escolhe perdoar. Difícil é honrar a força de quem continua vendo o copo meio cheio quando tudo ao redor parece vazio. Difícil é perceber que, muitas vezes, o maior poder que alguém pode ter é oferecer misericórdia.

Eu me emocionei no último episódio da primeira temporada. Sem spoilers, mas tem uma cena em que um personagem faz o pior. Aquilo que qualquer pessoa normal teria todo o direito de guardar mágoa, ressentimento, rancor. A confissão de um erro que o traiu e humilhou.  Ted poderia ter se afastado, poderia ter respondido com frieza. Mas ele escolhe perdoar. Abraça. Acolhe. Aquilo me pegou. 

Porque, naquele momento, eu vi Jesus ali. Não por religiosidade, mas porque eu vi na tela aquilo que Jesus faz com a gente todos os dias: Ele oferece perdão quando erramos. Ele nos abraça quando não merecemos. Ele nos acolhe quando deveríamos ser rejeitados. Ele insiste em enxergar nossas virtudes acima das nossas falhas.

E eu pensei: “Eu quero ser mais assim.” Servir mais, amar mais, perdoar mais. Oferecer graça para quem não merece, porque eu também não mereço a graça que recebo todos os dias. Eu quero continuar sendo a pessoa que escolhe o copo meio cheio, que enxerga as qualidades antes dos defeitos, que insiste em ver o melhor nas pessoas, mesmo quando é mais fácil desistir.

Porque serviço e sacrifício sempre foram os dois pilares sobre os quais o Reino de Cristo se ergueu. E Ted Lasso me lembrou disso.

E se isso parece bobo em meio a uma série de humor, então talvez a gente precise se lembrar que o Reino de Deus se revela nos lugares mais simples. Até mesmo em uma série de TV. Ted Lasso, eu vi Cristo em você.

No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus, diz que é pra ser. 

Love love love, Lu.

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