Eu amo olhar pra trás e ver o cuidado de Deus com absolutamente tudo. Cada detalhe, cada desvio de rota, cada espera que parecia castigo, hoje vejo que eram proteção. E toda vez que percebo isso, faço um pedido interno silencioso: que eu não me esqueça desse cuidado quando, mais uma vez, a sandália apertar. Quando a tempestade chegar de novo. Pois, naturalmente, a vida traz.
“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” Romanos 8:28 não é só um versículo bonito. É uma âncora. Uma verdade que sustenta quando os olhos não veem e o coração duvida.
Escolhi escrever sobre isso por dois motivos: uma pregação recente que me atravessou, e um altar que foi restaurado dentro de mim lugar onde hoje recebo graças que antes eu nem reconheceria como tais.
Antes, eu via como silêncio o que hoje entendo como livramento. Desprezava o processo que hoje valorizo mais que o resultado. Se a graça que recebo hoje tivesse vindo em outro tempo, com a cabeça antiga, com a outra Luísa… teria sido penoso. Eu teria desperdiçado. Machucado. Sofrido demais.
Jesus não derrama graça em altares quebrados sem antes tocar na estrutura. Ele não se apressa em operar milagres quando o coração está desordenado. Quando está cheio de orgulho, de barulho, de distração. Antes de curar, Ele ensina. Antes de exaltar, Ele humilha. Antes de operar, Ele arruma a casa.
Quantas vezes oramos pedindo respostas, enquanto mantemos cômodos fechados dentro de nós? Áreas que preferimos esconder, histórias que decidimos não tratar, pecados que normalizamos. Mas Jesus, em Sua infinita misericórdia, não ignora o caos interior, Ele entra com autoridade. Como fez no templo. E começa a limpar. Ele derruba as mesas da vaidade. Esvazia os cantos do ego. Reorganiza as prioridades. Expõe o que escondemos. E só então, quando há espaço, quando o altar foi restaurado, Ele derrama graça.
Milagre sem arrependimento vira espetáculo. Cura sem transformação vira rotina. Mas quando o coração está pronto, quando há humildade e rendição, o milagre se torna marco. A graça se torna casa. E Jesus permanece.
Talvez você esteja esperando algo de Deus. Mas será que Ele não está esperando você abrir a porta para que Ele arrume a bagunça primeiro? Não porque te rejeita, mas porque te ama demais para te entregar algo enquanto você ainda tenta ser senhor do que só Ele pode governar. Isso é um clássico da nossa humanidade. Restaurar um altar não é arrastar a sujeira para debaixo do tapete. É encarar o caos com coragem. É permitir que o velho morra, para que o novo respire.
Jesus não despreza altares quebrados, mas também não os deixa como estão.
No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser.
Love love love, Lu.
