Por que o abraço, esse gesto tão simples e tão divino, às vezes nos constrange e nos deixa em posição desconfortável?
Dia desses, durante a célula, vivi isso de perto. Logo no início, enquanto o louvor preenchia o ambiente, a ministradora fez um pedido: que cada um escolhesse alguém para abraçar. Não importava se havia intimidade ou não, não importava se conhecíamos ou não a pessoa. Era para abraçar, e naquele gesto liberar palavras vindas do Senhor.
De imediato, um clima de estranheza sempre toma conta. É curioso como algo que deveria ser natural, encostar, acolher, envolver, às vezes pesa tanto. Nosso corpo denuncia as barreiras do nosso íntimo: a autoproteção, a dificuldade de se expor.
Mas então a ministradora disse algo que me desmontou: “Ao abraçar, ao sofrer junto, ao acolher e ao dar força, somos representação do amor de Cristo. É como se abraçássemos o próprio Senhor.”
Naquele minuto, algo mudou dentro de mim. O que era constrangimento se transformou em chamado. Coloquei-me à disposição do Espírito Santo e, ao abraçar a pessoa que estava ao meu lado, senti que não era apenas um gesto humano. Havia ali acolhimento, cura, vida sendo liberada. No silêncio de um abraço, Deus fala.
Depois fiquei pensando: por que nos esquecemos tão facilmente disso? Por que limitamos o abraço apenas aos mais próximos, como se fosse um território exclusivo do íntimo? É verdade, o toque é pessoal. Eu mesma não gosto quando alguém fala encostando em mim. Mas um abraço… ah, às vezes um abraço é tudo o que uma pessoa precisa no dia. É força para continuar, é alívio para a alma cansada, é prova de que não estamos sozinhos.
No dia seguinte, a Dona Antonia, que trabalha comigo, me abraçou. Foi rápido, singelo, mas imediatamente me transportou de volta à noite anterior. Senti que Deus falava: “Viu como é simples? Viu como é poderoso?”
O abraço carrega algo que palavras não alcançam. Ele envolve, une, derruba muros invisíveis. É um gesto de vulnerabilidade, mas também de autoridade espiritual. É quando deixamos de lado o medo do incômodo e permitimos que o Espírito Santo use até nossos braços como extensão do Seu amor.
Não é à toa que a Bíblia nos chama insistentemente ao amor prático:
“Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.” (Romanos 12:10)
“Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.” (João 13:34-35)
O desconforto não pode ser impedimento para abraçar. Porque o abraço é divino. Ele não apenas aproxima corpos ele aproxima céus e terra. Abrace mais.
No fim, não é como o mundo diz que é, mas como o mundo diz que é pra ser.
Love love love, Lu.
