Confesso que amo a velocidade do Mercado Livre. Peço algo e, no mesmo dia, o produto chega antes de eu lembrar que tinha comprado. Chamei um carro e, antes mesmo de fechar a porta de casa, ele já me esperava no portão. Vez ou outra, me esqueço de como é esperar um táxi.
As mensagens chegam instantaneamente, as notícias em resumo, e até a fé, se não cuidarmos, virou notificação com horário marcado. Vivemos cercados de atalhos. O mundo cabe em quinze segundos de vídeo, e, se demora mais que isso… a gente desliza o dedo e passa adiante. De versões reduzidas, compactas, tudo cabe em quinze minutos, quinze segundos, quinze palavras.
E, aos poucos, o que é profundo vai perdendo espaço. A tecnologia nos ensinou a confundir velocidade com eficiência. E, aos poucos, fomos ficando impacientes, ansiosos, intolerantes ao processo. A tecnologia encurtou distâncias, mas alongou nossa ansiedade. Acelerou o mundo, mas tem atrofiado nossa alma.
O que leva tempo parece defeituoso. Esperar virou sinônimo de fraqueza, como se houvesse algo errado com aquilo que ainda está amadurecendo. Queremos o sucesso express. O “sim” na primeira tentativa, o prêmio no primeiro projeto, a promoção no primeiro ano e, de preferência, todo ano. Demorar virou sinônimo de fracasso. E nos pegamos, tantas vezes, impacientes com a vida, com Deus, comigo mesma.
Como se o sucesso e tudo tivessem que ser imediatos, e o tempo, esse velho sábio, fosse um obstáculo a ser vencido, e não um mestre a ser ouvido. Mas, quando eu volto os olhos pra Bíblia, tudo muda de perspectiva.
As promessas não vinham com prazo de entrega. Havia espera, deserto, silêncio. Abraão esperou décadas pela promessa. Moisés atravessou gerações até ver o cumprimento. José passou anos preso antes de ser exaltado.
E nenhum deles viveu um “modo turbo”. Eles viveram o tempo de Deus, o tempo da maturação, do propósito, da fé que se prova no intervalo. Buscar a espiritualidade hoje é resistir a esse tempo do mundo. É quase contraintuitivo. É não sucumbir à pressa que disfarça vazio, à comparação que gera cansaço, à produtividade que mascara propósito. O tempo do mundo é enganoso: ele ativa gatilhos, provoca culpa, convence que estamos atrasados. Mas o tempo de Deus não atrasa. Ele amadurece. O tempo do mundo é feito de métricas. O tempo de Deus é feito de milagres. E, quando a gente entende isso, o coração descansa.
Porque as coisas sólidas, as que permanecem, não são construídas em um clique. São formadas no tempo com fé, lágrimas, recomeços e paciência. E talvez o milagre que ainda não chegou só esteja esperando o nosso coração estar pronto pra recebê-lo, pois, diferente do que acreditamos ou esperamos, milagre não vem no delivery.
No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser.
Love love love, Lu.
