Minha rotina de devocional sempre traz temas interessantes para as conversas dentro de casa. Outro dia estávamos falando sobre o sentimento da angustia e sobre suas nuances. Há uma pequena, mas profunda diferença entre a tristeza e a angústia. A tristeza é como a chuva que cai após o céu se romper. É um fato consumado, uma dor que já se mostrou por inteiro, sem mistérios. Ela convida à pausa, ao silêncio, ao luto. Já a angústia é o limbo, aquela incerteza que sufoca, um grito preso na garganta, como se o coração pressentisse algo que ainda não aconteceu ou não consegue nomear. É estar à porta, mas não saber o que está do outro lado.
No dia a dia, esses sentimentos se manifestam de formas distintas. A tristeza pode aparecer no choro de quem perde um emprego que amava, no vazio deixado por um ente querido que partiu. É como se o tempo parasse, e você soubesse que precisa lidar com o peso do agora, enquanto espera o amanhã.
Já a angústia surge nas pequenas inquietações que tiram o sono. É aquele domingo à noite em que o coração acelera sem motivo aparente, uma entrevista importante que se aproxima, ou a sensação de estar perdido, um choro solitário no banho, mesmo quando tudo parece estar no lugar. A angústia é escorregadia. Ela não se mostra por completo, mas mora no espaço entre o que somos e vivemos agora e o que ainda vai ser.
O mundo, com sua pressa e suas demandas infinitas nos diz para ignorar ambos. Nos convida a distração. Um scroll infinito no celular, uma maratona de séries, álcool excessivo, compras impulsivas. Escondemos nossa tristeza e nossa angústia debaixo do tapete da produtividade ou do entretenimento, como se os sentimentos fossem inimigos a serem combatidos, e não como algo que precisa ser ouvido.
Mas Jesus diz algo muito diferente. Ele não ignora nossas dores nem nos manda correr delas. Ele as abraça. “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados” (Mateus 5:4). O choro, para Jesus, não é sinal de fraqueza, mas de abertura para o consolo. Ele nos convida a colocar diante de Deus aquilo que nos entristece, a confiar que o tempo e a fé trarão cura.
E quanto à angústia? Jesus a conheceu no Getsêmani. Ele suou gotas de sangue enquanto orava: “Pai, se queres, afasta de mim este cálice; contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua” (Lucas 22:42). A angústia, ali, não foi negada, mas enfrentada em oração. Ele nos ensina que, quando o limbo nos sufoca, podemos entregar nossas incertezas a Deus. Não precisamos ter todas as respostas; precisamos confiar que Ele as tem.
Talvez a maior lição seja a de que a tristeza e angústia não são sentimentos a serem descartados, mas caminhos a serem trilhados com fé. Elas nos lembram que somos humanos, frágeis, dependentes. E, ao contrário do que o mundo sugere, enfrentá-las não é sinal de fraqueza, mas de coragem. Coragem de parar, de sentir, de esperar em Deus. “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Salmos 30:5).
A tristeza pede que aceitemos o tempo. A angústia, que confiemos no invisível. Ambas podem nos conduzir ao encontro mais profundo com Aquele que nos consola e nos sustenta.
Love love love, Lu.
*Texto escrito em 9 de janeiro de 2025
