O que é comum nem sempre é normal

Recentemente, assisti a série Amor da Minha Vida (Disney +)  e, diferente do que todo mundo está falando, eu não gostei de algo que não vi ninguém comentando, mas eu vou te contar. 

Nós crescemos rodeados por hábitos, comportamentos e valores que são amplamente aceitos pela sociedade, mas que, em sua essência, nos afastam de uma vida alinhada ao propósito divino. E é exatamente aí que mora o desafio: o comum não é, necessariamente, normal. E como normalizamos as coisas!!  O fato de algo ser amplamente aceito não significa que seja correto ou benéfico para nós. 

Temos vários exemplos de coisas grandes e também pequenas que, quando acumuladas, moldam um comportamento voltado para o mundo, coisas “comuns” como mentiras, traição, fanatismo por política, religião, esporte, indiferenças, busca incessante por status e reconhecimento. Todos nós conseguimos nos reconhecer em algum desses aspectos, ou vários deles. Eu me reconheço. 

Nós vivemos em um mundo onde o que é comum aos olhos das pessoas muitas vezes é contrário aos olhos de Deus. E o mundo, desde sempre, nos convida à corrupção. É fácil sermos engolidos pelo que é amplamente praticado, pelo que é conveniente e pelas vozes que dizem: “Não tem problema, todo mundo faz isso”. 

Como seres espirituais vivendo experiências neste mundo, muitas vezes invertamos a ordem: passamos a viver como seres mundanos que ocasionalmente buscam experiências espirituais, em vez de sermos seres espirituais que, apesar de viverem neste mundo, encontram em Deus o centro de tudo. Eu vivi a ordem inversa por anos, mas quando colocamos Deus no lugar que é Dele, tudo começa a mudar e fazer mais sentido. 

Mas mudar não é simples. É um processo de quebrantamento, de olhar para dentro de si e reconhecer que, por muito tempo, aceitamos o que é comum como algo natural. É um exercício diário de desconstrução e reconstrução, de renovação. É uma luta constante e difícil entre o que vem do mundo e o que vem de Deus. Não é fácil, mas é libertador.

Perdoar-se faz parte do processo. Muitas vezes, agimos com base em uma visão limitada, porque era tudo o que conhecíamos. Mas Deus, nos dá novas chances de aprender e crescer. Não se trata de condenação, mas de transformação.

E sobre a série, o que eu não gostei, foi o fato de tratarem com normalidade as traições, como se elas fossem um elemento natural das relações ou algo com que devemos simplesmente conviver. A série opta por retratar essas situações sem grandes discussões ou consequências mais profundas. 

Em um passado não tão distante, eu também tratava como algo comum. A ideia de que “todo mundo faz” ou “é assim que é”, mas precisamos aprender a diferenciar o que é comum do que é aceitável. Não é porque algo acontece com frequência que deve ser normalizado.

Enquanto não questionarmos isso, nossa mentalidade continuará vendida para um mundo que, muitas vezes, busca desconstruir valores importantes. 

Seja em grandes questões ou em pequenas escolhas diárias, como praticar a verdade e a bondade, somos chamados a viver uma vida diferente. Porque, ao final, o que importa não é o que o mundo chama de normal, mas o que Deus chama de bom.

Love love love, Lu.

*Série gostosa e fácil de ver e rende boas reflexões como essa.

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