Você dá conta sozinha. Mas precisa?

Outro dia, saí do mercado carregando sacolas pesadas. Eram muitas. As alças finas marcavam minhas mãos,  os dedos doíam, mas eu segui, recusando qualquer ajuda. Um senhor gentil se ofereceu para carregar uma parte e, quase sem pensar, minha resposta foi automática: “Não, obrigada, eu consigo sozinha.” Eu conseguia sozinha. Mas será que precisava?

É um exemplo simples e cotidiano, mas quantas vezes fazemos isso sem perceber? Na pressa de provar que damos conta, recusamos apoio, acreditamos que depender do outro é fraqueza, que admitir cansaço é derrota. Achamos que precisamos ser inquebráveis – mas será que não estamos apenas nos tornando insensíveis?

O tão comum “eu resolvo sozinha”, muitas vezes, é o empoderamento disfuncional agindo em silêncio. A ideia de que ser forte significa não precisar de ninguém. Que aceitar ajuda é um sinal de fraqueza. Que precisamos carregar tudo sozinhas para provar nosso valor. E não falo só de sacolas de mercado. Falo da mãe que não delega porque acha que ninguém faz direito. Da mulher que engole o choro porque “não tem tempo” para sentir. Da profissional que se sobrecarrega para mostrar que é capaz. Da esposa que se recusa a pedir colo porque “deu conta até aqui, não vai fraquejar agora”. Eu não sei vocês, mas eu percebi a disfuncionalidade no meu empoderamento. 

O problema não é ser forte. O problema é esquecer que a verdadeira força não está na solidão de fazer tudo. A Bíblia nos ensina sobre uma mulher que é ao mesmo tempo forte e sábia. Em Provérbios 31, a mulher virtuosa administra, empreende, cuida da casa, ajuda os necessitados. Mas em nenhum momento ela está sozinha. Ela tem uma rede. Ela tem Deus. Ela pede e aceita ajuda. 

Mas a cultura de hoje ensina o contrário: que ser independente significa romper vínculos, que precisamos provar nossa força o tempo todo. No braço. E aí, sem perceber, nos tornamos ilhas. Ilhas cansadas, isoladas, sobrecarregadas. Perdemos a leveza da confiança, a beleza da dependência saudável. Eu sempre preguei a liberdade, é um dos meus valores, mas não a qualquer custo. 

Do que adianta conquistar o mundo se, no fim do dia, o peso for grande demais para carregar sozinha? Talvez o verdadeiro empoderamento esteja em algo mais simples: aceitar que nem tudo precisa ser um fardo. Que não precisamos ser invencíveis o tempo todo. Que Deus nos fortalece, mas também nos ensina a pedir ajuda. Tenho aprendido a pedir daqui. 

E que, às vezes, deixar alguém segurar uma sacola não nos faz menores – nos faz humanas. No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser. 

Love love love, Lu.

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