Eu aprendi a liderar na marra.
Não foi num curso de formação executiva, nem com manual de boas práticas. Foi na prática mesmo, quando todo mundo olhava pra mim esperando uma resposta… e eu ainda estava tentando entender qual era a pergunta. Antes de abrir a agência, lembro de pensar que não seria capaz de liderar. Já ouvi gente dizer que liderança é sobre carisma, outros falam em estratégia, em controle. Mas, na vida real, quem já precisou liderar de verdade sabe: liderança é, antes de tudo, um chamado para servir.
Os maiores líderes do mundo — e que admiro —, antes de tudo, servem. E nenhum livro me ensinou mais sobre isso do que a Bíblia tem me ensinado.
Neemias, por exemplo, era copeiro. Aquele que experimentava o vinho antes do rei, pra garantir que não estivesse envenenado. Parece um cargo de risco, mas está bem longe do tipo de liderança que impressiona por aí. E foi justamente dali, do lugar da “irrelevância” aos olhos humanos, que Deus levantou um líder que reconstruiu os muros de Jerusalém. Sem estratégia mirabolante. Só com joelhos no chão e o coração sensível ao clamor do povo. A liderança de Neemias começa com uma lágrima, não com uma ordem.
Mas ele não é o único. Moisés liderou um povo com a língua presa e o coração cheio de medo. Davi foi ungido rei enquanto ainda cuidava de ovelhas, cheirando a campo. Débora julgava Israel debaixo de uma palmeira. E Jesus… ah, Jesus lavou os pés dos discípulos antes de entregar a própria vida por eles. Essa é a régua. Altíssima. Uma liderança que não comporta ego, nem orgulho e nem arrogância. Pontos de atenção para todos nós.
Por falar em Jesus, sempre me impressionou o contraste entre Ele e Pilatos.
Pilatos tinha poder. A cadeira, o título, o exército. Mas não tinha firmeza. Tentou agradar a multidão, lavou as mãos e achou que estava sendo neutro. Jesus, por outro lado, estava algemado. Humilhado. Mas mantinha a autoridade de quem sabe por que está ali. Um era governador do Império. O outro, Rei dos Reis. Um tentou salvar a própria imagem. O outro entregou a própria vida. A diferença entre eles? O coração. Um liderava pela pressão. O outro, pela missão.
Liderar não é sobre mandar. É sobre amar. Sobre se importar. Sobre ver o que ninguém vê e assumir a dor que ninguém quer. Liderar é interceder por gente que talvez nunca diga “obrigado”. É, muitas vezes, não ter a menor certeza do que está fazendo, mas seguir mesmo assim porque sabe quem te mandou.
Na marra, com erros, tropeços e muita oração… aprendi que a liderança que transforma o mundo começa com alguém que se dobra diante de Deus.
E é isso que eu oro ser: menos chefe, mais servo. Menos controle, mais compaixão. Menos eu… e mais dEle.
No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus é para ser.
Love love love, Lu.
