O que fica quando tudo passa

Você lembra o nome da sua tataravó?
Eu confesso: não lembro da minha.

É maluco pensar que, depois de algumas poucas gerações, a gente simplesmente… desaparece da memória. Não é só o rosto que some. Some o jeito de andar, o perfume favorito, as roupas que escolhia com tanto cuidado. As viagens, as conquistas, os diplomas pendurados na parede… tudo se dissolve no tempo, mais rápido do que gostaríamos.

Quando lembramos de alguém que já se foi, o que realmente fica?
Não são as posses, nem os feitos grandiosos.
Ficam frases. Ficam marcas. Ficam as mensagens que deixamos no coração de alguém.

“Pior é na guerra”, dizia minha avó, como quem ensina a não reclamar da vida ou a reza da velha Anna.
Da outra, lembro do amor incondicional — amor que se doava em tudo, até no biscoito de castanha e Monteiro Lopes em todo dezembro que ela fazia questão de entregar só pra ver todo mundo feliz. E lembro da orelhinha gostosa de apertar, herança de afeto que palavra nenhuma alcança.

Do meu tio Zé, ficou o cheiro de bebê antes de dormir, as conversas inteligentes que me faziam pensar por dias e o gosto musical impecável.
Da minha prima, ficou a fé. Uma fé que antes eu julgava exagerada, mas que hoje reconheço como coragem. Loucura era a minha incredulidade.
Do meu avô, ficou a simplicidade: ao comprar o sorvete mais barato, ele me ensinou que o importante não era o sabor, era o gesto. Ele lembrou dos netos na ida ao supermercado. E isso bastava.

A gente lembra das pessoas pelo que elas nos fizeram sentir. Pelo que nos ensinaram sem saber que estavam ensinando. Pelas marcas eternas que não cabem em currículo ou em feed de rede social.

E aí eu me pergunto — por que gastamos tanto tempo tentando impressionar por coisas que serão esquecidas em dois dias?
A roupa da moda.
O cargo importante.
O celular mais novo.
A viagem dos sonhos.
Tudo isso, pó. Tudo isso, vento.

A Palavra diz:
“O que se vê é temporário, mas o que não se vê é eterno.” (2 Coríntios 4:18)

Legado não é sobre o que se possui, é sobre o que se transmite.
Legado é a semente invisível plantada em terra funda. É o amor transbordado, a paciência vivida, a fé resistente quando tudo dizia o contrário.

Quando tudo passa (e tudo p a s s a), o que fica é aquilo que vem de Deus.
Porque o amor nunca passa.
Porque a fé nunca passa.
Porque a esperança, mesmo em silêncio, permanece.

Quero ser lembrada não pelo que tive.
Mas pelo que deixei plantado.

Quero não me demorar mais tanto em coisas que duram pouco. Quero me demorar mais em Deus. 

No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser. 

Love love love, Lu.

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