“Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim…”
Quantas vezes já ouvi isso sendo dito quase como um troféu? Como se repetir padrões fosse sinal de identidade. Como se estacionar fosse sinônimo de ter raízes fortes. A chamada “Síndrome de Gabriela” virou refúgio confortável para quem tem preguiça de mudar, ou melhor, medo da mudança.
Na minha última sessão de terapia, enquanto falava sobre algumas questões, meu psicólogo trouxe esse termo para dar nome ao que tanto me incomoda ver.
É mais fácil dizer que “sempre foi assim” do que encarar o desafio de ser novo em si mesmo. É mais fácil culpar o pai ausente, a mãe dura, a infância difícil, o coração partido. É mais fácil vestir a persona da vítima e exigir do mundo que compreenda o tipo de pessoa que a dor nos “forçou” a ser, e que, conscientemente, decidimos continuar sendo.
Tem gente que não sabe perdoar. Não porque é má, mas porque nunca aprendeu. Porque cresceu com um pai que guardava mágoas como quem coleciona medalhas, ou com uma mãe que chorava escondido, mas nunca falava sobre sentimentos. Só que o fato de você ter herdado esse silêncio não te obriga a morrer calado. Perdoar é escolha. Reescrever é decisão.
Personalidade não é sentença. É construção. Tijolinho por tijolinho. E, se quiser, é possível recomeçar.
Desde cedo, vivo a máxima: Em busca da minha melhor versão — não à toa, meu primeiro livro leva esse nome. Isso porque eu não acredito em uma versão finalizada, mas sim no aprimoramento contínuo. Nunca me conformei (e nem quero!) com uma versão única e estática de mim mesma. É verdade: sozinho é difícil. Romper ciclos, quebrar maldições familiares, encarar traumas de frente… Tudo isso dói. Mas com Jesus… ah, com Jesus, o impossível não existe. Com o amor d’Ele, até os muros mais altos se transformam em pontes.
Uma pessoa ferida fere. Mas uma pessoa curada cura. A diferença está em quem você decide escutar: a voz das suas circunstâncias ou a voz da sua identidade em Deus. Quando você tem um encontro verdadeiro com Ele, passa a agir não mais com base no que viveu, nem nos exemplos que teve ao longo da vida, mas no que foi chamado a ser. E o que Deus nos chama a ser nunca está preso ao passado, está ancorado no futuro.
Então, por favor, não me diga que nasceu assim. Diga quem você está se tornando.
Em Cristo, tudo se faz novo. Principalmente nós.
Em busca da nossa melhor versão, sempre.
No fim, não é como o mundo diz que é. É como Jesus diz que é pra ser.
