Quando os Ramos Murcham

Há dois anos, a Páscoa tinha outro significado pra mim. Sabia sobre a morte e ressurreição de Cristo, mas não entendia com profundidade. Ou pior, não sentia de verdade. Era mais uma data entre tantas outras, marcada por tradições que eu seguia sem saber exatamente por quê. Hoje, tudo mudou. Descobri que, antes de ser cristã, a Páscoa era uma celebração judaica, a lembrança da libertação do povo hebreu da escravidão no Egito. E foi justamente durante essa celebração que aconteceu o que mudou a história da humanidade: a morte e a ressurreição de Cristo.

Quanto mais mergulho na Bíblia, mais compreendo a profundidade dessa semana tão sagrada, que começa com o Domingo de Ramos. A Páscoa não é só sobre sacrifício. É sobre vitória. Vitória sobre a morte. Sobre a dor. Sobre a aparência. Sobre a vaidade. A cruz é a razão de tudo.

Domingo de Ramos foi o dia queJesus entrou em Jerusalém aclamado.  O Rei montado num jumento. A Sua grandeza não precisava de símbolos. Mas aquela euforia positiva duraria pouco, e as mesmas pessoas que ali O recebiam foram as mesmas que pediram para Ele ser crucificado, pois não havia atendido às expectativas. Jesus estava atrás de obediência, de cumprir Sua missão. De renunciar. E não de suprir expectativas da plateia. 


É impossível não fazer um paralelo com os dias de hoje. Temos sede de reconhecimento. Medimos o valor das nossas escolhas pela reação dos outros. Palmas, curtidas, comentários… Seguimos tendências como se fossem mandamentos. Escolhemos nossas palavras com medo de sermos rejeitados. E quando os aplausos terminam, quando os holofotes se apagam, quando a multidão vira as costas (porque ela vira), nos perdemos.

Ou seja, Domingo de Ramos é também um alerta, pois nem todo aplauso é confirmação. Nem toda aprovação é bênção. E nem todo silêncio é rejeição. Há caminhos que só podem ser trilhados na contramão da maioria.


Jesus nunca se guiou por isso. Ele não entrou em Jerusalém para ser querido. Ele entrou para fazer o que precisava ser feito. Sua bússola nunca foi o público, mas o seu Pai. Ele não negociou Sua missão com vaidade. 

A obediência custa caro. Mas vale a pena. Escolher a verdade, escolher a obediência a Deus sempre vale a pena. Que o nosso coração não se deslumbre com os aplausos dos seres humanos, mas busque sempre a voz de Deus. Porque a euforia do homem acaba, e os ramos, flores, murcham. A cruz, não. Ela permanece. 

No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser.

Love love love, Lu.

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