A grande novidade de não ter nenhuma

Aos olhos do mundo, minha vida não anda tão interessante.
Horas atrás do computador, horas atrás da Bíblia. Nenhum carimbo novo no passaporte todo mês, mil eventos, nenhuma história de cair o queixo pra contar na mesa do jantar. 24 horas continuam sendo pouco, ou seja, a vida está corrida, mas tem dias que, se eu fosse postar nos stories… oração, treino, trabalho, trabalho, trabalho e casa. Uma rotininha simples, mas completa.

Mas aos olhos de Deus, ah, aos olhos de Deus, tem sido uma vida deliciosa. Nunca encontrei tanto prazer em tão pouco (que é MUITO!). E isso é, ao mesmo tempo, estranho e libertador. Estranho porque tudo ao nosso redor grita: “e aí, qual a novidade?” Libertador porque, pela primeira vez, eu não preciso de uma. Pela primeira vez, a ausência de novidade virou resposta — e não motivo de angústia.

A gente foi treinado pra correr atrás do novo. A próxima viagem, o próximo projeto, o próximo post, o próximo passo. E eu entendo, o ser humano precisa de movimento, de desejo, de futuro. Isso esquenta o coração. Mas hoje eu percebo: nem sempre é no próximo que a vida acontece. Às vezes, é no agora. No simples. No quase invisível.

Tenho trabalhado muito, é verdade. Mas também tenho orado mais. Tenho encontrado sentido em apenas ser. Sem a necessidade de ter, provar ou conquistar. Alguns sonhos mudaram de roupa. Outros tiraram férias. E tem uns que foram embora em silêncio e eu nem senti falta. Outros, maiores, tomaram o lugar. Tem sido bom, sabe? Sentar no chão da sala com quem eu amo. Estar com a família, na igreja, com os amigos. Sentir o gosto do café. Ouvir o silêncio sem querer preencher. Caminhar na praia ouvindo música, maratonar uma série, mergulhar em um livro. Não é tédio. É contentamento.

E as novidades maravilhosas que tenho, agora penso em comemorar no ao vivo, e não em precisar compartilhar. Os acontecimentos mais importantes têm acontecido no íntimo.
Eu, que já vivi extremos, posso dizer: se conectar com o outro é bom mas a vida sem plateia também é boa demais. Não tem fogos de artifício. Mas tem paz. Tem desafio, mas tem fé. Não tem manchete. Mas tem propósito.

E, aos olhos de Deus, talvez isso seja a maior novidade de todas.

No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser. 

Love love love, Lu.

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