O ser humano é egoísta. Eu sou. Você é. E não adianta muito maquiar isso com boas intenções, porque até nossa generosidade pode estar contaminada pelo orgulho ou pela necessidade de reconhecimento. É como se o nosso “servir” viesse com um bilhete escondido: “Olha como eu sou boa pessoa”.
Ceder custa caro. Custa tempo, custa energia, custa sair do nosso roteiro. E, se formos sinceros, muitas vezes não queremos pagar esse preço. Eu já fui – e ainda sou, em partes – autocentrada. Até a minha generosidade, olhando bem, tinha um quê de vaidade. Servir, pra mim, era mais fácil quando cabia na minha agenda ou beneficiava alguém de quem eu gostava.
Mas Jesus não serviu assim. Ele lavou pés sujos. Ele curou pessoas que nem voltaram para agradecer. Ele morreu por gente que ainda O rejeitaria. E não foi só Jesus. A Bíblia está cheia de exemplos de pessoas que venceram a si mesmas para servir: Barnabé, que vendeu suas posses para sustentar a igreja. Estevão, que anunciou a verdade até ser apedrejado. Rute, que abriu mão de tudo para cuidar de Noemi. José, que, mesmo traído, serviu com excelência e salvou vidas.
Mas sabe de quem eu mais me lembro? Dos discípulos. Porque eles eram imperfeitos como eu e você. Competiam entre si, queriam ser os maiores, fugiram no momento mais difícil. E mesmo assim, Jesus os escolheu. Porque Ele sempre enxergou mais do que nossas falhas; Ele vê o que podemos nos tornar.
Ser servo, na perspectiva de Cristo, é viver com humildade sacrificial, colocar o outro antes de si, mesmo que doa. É ter identidade n’Ele, não agir como dono, mas como administrador do que recebemos. É viver em obediência, dizer “sim” a Deus, mesmo quando isso significa dizer “não” para mim. Uma missão longe de ser fácil, mas que vale a pena. Como vale…
Se for pra resumir: servir não é quando faço o que gosto, no horário que quero, para quem me é simpático. Servir é quando faço o que é preciso, mesmo que me custe. É aí que Cristo aparece em nós, não no conforto, mas no sacrifício.
E talvez essa seja a verdade que não gostamos de admitir: a maior barreira para servir não é a falta de tempo, de recurso ou de oportunidade. É o nosso próprio ego. Tenho sido profundamente incomodada por perceber isso e venho pedindo a Deus que me ensine a servir mais. Porque sei que, no fim, não é só o Reino que é edificado, eu também sou transformada.
No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser.
Love love love, Lu.
