“Ambientes doentes adoecem até os melhores.” Quanta verdade em uma única frase.
Ao longo dos anos, quanto mais converso com outras pessoas e vivo isso no dia a dia do trabalho, percebo que nem sempre é a falta de talento que enfraquece alguém. Muitas vezes, é o ambiente. Sim, você pode começar a sua história em algum lugar íntegro, cheio de propósito, com a fé alinhada e ambição. Mas se o solo for contaminado, você vai absorver (pouco a pouco) o que há de tóxico ali. E nem percebe. Já vi isso acontecer algumas vezes. Um cliente meu nomeou isso como contágio silencioso.
Você não pega a coragem de um colega só porque trabalha ao lado dele. Mas absorve a covardia coletiva em questão de semanas. Não herda o brilho de quem entrega com excelência, mas adota, quase sem querer, a preguiça de quem já desistiu e chama isso de “maturidade profissional”. A Bíblia já nos alertava sobre isso. “Não se deixem enganar: ‘As más companhias corrompem os bons costumes’.” (1 Coríntios 15:33)
A Palavra é direta. E não está falando apenas de amizades pessoais, mas de qualquer relacionamento que alimenta o que há de pior em nós. Eu já precisei tomar decisões duras. Já precisei abrir mão de profissionais excelentes, tecnicamente falando, porque o espírito que carregavam contaminava a equipe. Gente que não errava no Excel, no texto e nem em arte mas errava na graça, no respeito, no clima. Era só problema. Pesava. E não dá. A cultura de um lugar é invisível, mas molda tudo.
Na prática, ou você influencia ou é influenciado. E se não estiver vigilante, começa a rir das mesmas piadas ácidas, a normalizar a fofoca, a se acostumar com a falta de excelência. Começa a chamar apatia de “maturidade” e desânimo de “realismo”.
Jesus andava com pecadores, mas nunca se contaminou. Porque Ele sabia quem era e o que carregava. O problema é que muitos de nós ainda não sabem. A maioria, na verdade. E por isso se adaptam. Como camaleões que mudam de cor sem perceber.
Mas, diferentemente do camaleão, que se disfarça para sobreviver, nós estamos aqui para ser sal e luz do mundo. Não para diluir nossa fé, mas para temperar o ambiente. Não para nos esconder, mas para brilhar. “Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte.” (Mateus 5:14) É por isso que precisamos cuidar do ambiente e eu defendo os meus com unhas e dentes. Do online e do presencial. Porque o espírito de um lugar afeta o espírito de quem trabalha nele.
E se você lidera, o peso dessa responsabilidade é ainda maior. Você não é apenas mais um. Você é um termômetro. Um farol. Um espelho. A gente se blinda de um ambiente tóxico em oração. Se enchendo do que é do céu, a gente se esvazia do que é do mundo. É assim que a gente se fortalece: vestindo a armadura espiritual, renovando a mente e lembrando de quem a gente é em Deus.
Nem sempre dá pra mudar o ambiente, mas dá pra mudar o que permitimos que nos acesse.
Quem ora, discerne. Quem discerne, não se contamina.
No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser.
