Numa manhã qualquer, durante o meu momento de devocional, enquanto o mundo já girava no ritmo frenético das redes sociais, me vi encarando o meu caderno de oração em silêncio e o meu celular quase esquecido do outro lado da sala. 8h30 e não havia notificações, nenhuma tela me chamava com alertas e promessas de conexões instantâneas. Há vinte dias, fiz algo quase heróico (ao menos pra mim) – ou insano, dependendo da perspectiva – e me desconectei 90% do Instagram. Não foi um adeus definitivo, mas um respiro intencional.
Tem sido curioso reparar como a ausência desse canal que consumia uma parte considerável do meu tempo não trouxe vazio, mas sim espaço. Espaço para saudades reais e contatos que não cabem em 15 segundos de stories. Comecei a ligar para amigas que antes estavam sempre “ali”, mas nunca realmente presentes. Cada chamada era como regar uma planta esquecida no canto da sala.
As redes sociais são, de fato, uma ponte. Conectam cidades, países, vidas. Quantas saudades são tranquilizadas por um vídeo e foto daqueles que amamos. Mas são pontes suspensas no vazio, que não tocam o chão de verdade. Nelas, vemos as amigas felizes, viajando, conquistando, mantendo rotinas de exercícios e carreiras. Parece que estamos perto, mas não nos enganemos: é uma proximidade de vitrine, e o vidro é grosso. O que sabemos de verdade? Que desafios estão enfrentando? Que sonhos as fazem perder o sono?
No silêncio daquele momento, pensar nisso me trouxe essa reflexão. Deixei de lado a cultura do “scroll” infinito e me permiti voltar a pequenos rituais do passado. Uma ligação longa e sem pressa. Um café marcado depois de tanto adiar. Atos simples que parecem antiquados, mas que têm o poder de ultrapassar as barreiras da superficialidade.
Penso na tecnologia como um rio que avança, sem retorno, mudando a paisagem onde passa. Não é possível conter o fluxo, mas podemos escolher como navegar. Tenho preferido uma canoa que valoriza o detalhe, o contato, a essência. Não quero ser apenas mais uma figura no feed, consumindo passivamente imagens que não contam nem 10% de uma história.
E assim, redescobri um mundo onde a vida “off” não apenas existe, mas floresce. Porque, no fim, são os encontros reais que nos alimentam, nossas memórias e nosso coração. São eles que dão sentido à existência, que nos salvam de nos tornarmos apenas robôs dando likes automáticos em conteúdos que não refletem quem somos.
Então, fica aqui um convite: ligue para aquela amiga que você não vê há tempos. Pergunte como ela está de verdade. Marque aquele encontro que parece impossível de acontecer. Sua vida e seus relacionamentos merecem mais do um like. Eles merecem a sua presença, porque, no fundo, só o que é real é capaz de nos transformar.
Love love love, Lu.

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Redes sociais não amenizam nem 90% da saudade que sentimos aqui do outro lado dessa tela, né? Como é gostoso o ouvir a voz daquela pessoa, ficar horas jogando conversa fora.
P E R F E I T O!