No dia Dia Mundial de Combate ao Bullying (20 de outubro), o influenciador Felca, ipublicou um vídeo contando a história da sua maior dor. Eu assisti. E chorei. Antes de ser mãe, essas histórias já me chocavam, já me preocupavam. Hoje elas me tocam num lugar diferente. O vídeo virou pauta dentro de casa – meu marido também tinha assistido, e a conversa foi longe. Porque, quando a gente tem um filho, toda história de criança machucada vira uma pergunta: que tipo de experiência eu quero que o meu filho tenha ao crescer?
Coloquei meu filho no lugar de quem sofre o bullying. E depois, com um pouco mais de coragem, coloquei ele no outro lugar: o de quem faz. Porque é fácil imaginar o nosso filho como vítima. Difícil é admitir que ele também pode ser o menino que ri, que exclui, que aponta o dedo. Todo agressor também é filho de alguém. E aí a pergunta mudou de tamanho: como formar uma pessoa forte o suficiente para resistir aos males do mundo e boa o suficiente para não produzir nem reproduzir esses males?
Pensei no esporte. Na disciplina de treinar mesmo sem vontade, de perder e levantar, de errar na frente de todo mundo e voltar no dia seguinte. Resiliência, autoconfiança e autoestima não se ensinam no discurso; se constroem no treino. Mas eu sei que só isso não basta. Autoestima apoiada apenas no desempenho é frágil e dura até o primeiro gol perdido, ou a primeira zoação no recreio.
E, claro, fui para a Bíblia, lembrei do batismo de Jesus. Antes de qualquer milagre, de qualquer sermão, de qualquer discípulo, uma voz vem do céu: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado” (Mateus 3:17). Ele ainda não tinha feito nada que o mundo aplaudiria. O valor veio antes da obra. E logo em seguida Jesus vai para o deserto, e a primeira coisa que o tentador diz é: “Se és Filho de Deus…” (Mateus 4:3). Repara: o ataque não começa pela fome. Começa pela identidade. Prova, mostra, convence. E Jesus não precisou provar nada, porque aquilo que ele era já tinha sido dito.
O bullying funciona do mesmo jeito. Ele tenta convencer alguém de que vale menos, de que precisa provar o contrário para ser aceito. E quem tem a identidade firmada em Cristo não precisa provar para os outros e para o mundo o seu valor, porque o valor já está estabelecido. Mas tem o outro lado, e esse me pegou: quem sabe quem é também não precisa diminuir ninguém para se sentir grande. Muitas vezes, quem humilha está tentando provar alguma coisa. A mesma raiz que protege o meu filho de ser ferido é a que pode impedir que ele fira. O esporte fortalece os músculos. A identidade sustenta a coluna.
Falar sobre isso é tão necessário. Que esse vídeo chegue a professores, pais, educadores, a todos, para a gente olhar para os nossos filhos e para a educação que estamos dando, e ajudar para que isso não aconteça. Nem com os nossos, nem pelos nossos. Meu filho ainda é pequeno demais para entender. Mas hoje à noite, no ouvido dele, eu vou dizer: você é amado. Antes de qualquer gol, de qualquer nota, de qualquer aplauso. Quero que ele cresça ouvindo isso tantas vezes que, quando o mundo disser o contrário, a voz de casa fale mais alto.
Love love love, Lu.
