A pergunta apareceu na caixinha de perguntas do Instagram de forma super honesta, como costumam ser as perguntas que importam: “Quando você começa o ano pecando, Deus fica com raiva de você?”
Era cedo demais para responder com pressa. Tarde demais para fingir que é simples. Então resolvi vou responder com calma.
Deus não passa a mão na cabeça da desobediência. Quem ama coloca limite. Quem ama é justo e não romantiza o erro nem se agrada do pecado. Isso é óbvio. Mas Deus, antes de qualquer coisa, é Pai. E um Pai que ama não desiste do filho quando ele erra, Ele se aproxima. Deus não está interessado em te diminuir, te humilhar ou te lembrar o tempo todo do quanto você falhou. Ele está interessado em te ver bem, inteiro, curado e crescendo. Interessado na sua melhor versão e aquela que ainda está em construção.
É curioso como, justamente quando erramos, somos tentados a fazer o contrário do que mais precisamos. Em vez de correr para Deus, nos afastamos. Em vez de buscar, nos escondemos. A vergonha cria distância. A culpa cria silêncio. E é exatamente aí que mora o perigo. Porque são nessas brechas, quando você se sente pequeno e indigno que o coração começa a acreditar em mentiras. E a única resposta possível para isso não é fuga. É overdose de Deus.
Eu nunca me esqueço de algo que ouvi ainda criança. Meus pais diziam a mim e ao meu irmão algo que moldou completamente a forma como eu entendo amor, autoridade e segurança. Eles diziam que, não importava o quão errada eu tivesse sido ou o tamanho do erro que eu tivesse cometido, as pessoas que mais me amavam naquele mundo eram eles. E que fariam tudo o que fosse possível — sem interesse algum, apenas por amor — para me ajudar a consertar. Por isso, a primeira pessoa para quem eu deveria correr quando algo desse errado eram eles.
Hoje, adulta, entendo o peso disso. Sei que eles ouviram coisas que não devem ter sido fáceis de ouvir. Mas antes do castigo, houve conversa. Antes da punição, houve aprendizado. Quando eu queria ser melhor, eu corria para os meus pais. E é exatamente assim com Deus. Especialmente se você não teve pais terrenos que te deram esse lugar de segurança.
Você tem um Pai que te ama acima de qualquer coisa. E Ele é o maior interessado em te ver bem. O que importa não é a queda isolada. É o coração arrependido, disposição genuína de aprender e o desejo real de não repetir. É não se acostumar com o pecado nem torná-lo intencional.
Em uma crônica que escrevi, chamada “Volta pra casa, filha”, citei a parábola do filho pródigo. Em outro contexto, mas com a mesma essência. Ali, entre os porcos e a saudade, ele aprende talvez a maior lição da história. A casa do Pai não é um limite. É abrigo. E a gente volta pra casa. De novo, e de novo e de novo. Porque o Pai nunca fecha a porta.
No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser.
Love love love, Lu.
