Imagine se existisse uma caixa capaz de abrir portas para diversas realidades diferentes. Cada porta revelaria uma versão alternativa da sua vida, baseada em escolhas distintas que você poderia ter feito. Você teria coragem de olhar o que está do outro lado? Melhor ainda, se tivesse a oportunidade HOJE de trocar sua vida atual por uma dessas outras versões, você faria isso?
Esse é o enredo da série Dark Matter, da Apple TV. Na história de ficção científica, acompanhamos Jason, um físico que, obcecado pelo trabalho e pelas conquistas individuais, constrói uma caixa que permite transitar entre realidades paralelas. Anos antes, ele havia escolhido priorizar sua carreira no lugar de construir uma família com sua então namorada e amor da sua vida. Quando finalmente atinge o auge profissional, Jason sente um vazio profundo, um eco constante de arrependimento. A solução? Ele decide explorar a vida que poderia ter tido se tivesse escolhido o amor e a família. Ele acessa aquela realidade e rapta a versão empática e família dele para ocupar o seu lugar, buscando preencher sua vida com o que ele sente que faltava.
Mas a questão central da série não é apenas o “e se?”. Quando Jason se encontra na realidade do “Jason empático” — aquele que colocou a família em primeiro lugar —, ele descobre que não consegue se encaixar plenamente ali. Anos de individualismo e ambição moldaram quem ele é, e desconstruir esse caráter de forma instantânea se torna um desafio quase impossível.
A série me levou a pensar sobre o que Jesus nos ensina na Bíblia sobre as prioridades da vida. A ordem é clara: Deus, família, amor. Quando essa sequência é invertida — quando colocamos o trabalho, as conquistas ou mesmo nossos desejos individuais acima dessas prioridades —, acabamos como Jason: vivendo um vazio que nem o maior sucesso pode preencher.
Olhar para a história de Jason me fez questionar quantas vezes me vi sendo o “Jason individualista”: priorizando realizações e deixando de lado o que realmente importa. Felizmente, a graça de Deus nos dá a oportunidade de reverter essa ordem enquanto ainda há tempo. E ainda dá. Acredite. Jesus nos chama à construção de uma vida alinhada com os sonhos d’Ele para nós — sonhos que colocam o amor e a família no centro, com Deus como o fundamento.
A pergunta que fica é: e você? Se tivesse uma caixa como a de Jason, sentiria o desejo de mudar de porta? Ou hoje vive com a paz no coração de quem escolheu a realidade certa? O mundo nos incentiva constantemente a sermos individualistas e ambiciosos. Escolher o casamento e a família acima das próprias vontades e realizações parece, hoje, um ato de contracultura — um desafio que exige entrega e renúncia. E, não me entendam mal, não há nada errado em ser ambicioso; considero a ambição essencial para a vida, e me reconheço como uma pessoa ambiciosa. Também tenho tendências individualistas. Mas, quando essas características passam a ocupar espaços maiores do que deveriam, a ponto de inverterem as prioridades, algo se desajusta. Esse era o meu caso.
Como Jesus nos lembrou em João 10:10: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.” Essa abundância não está em realidades alternativas ou escolhas passadas, mas em uma vida presente guiada pela fé e pelo amor verdadeiro. A boa notícia é que sempre é hora de ajustar o caminho. No fim, não é como o mundo diz que é para ser, mas sim como Jesus diz que é.
Love love love, Lu.
