Rodrigo nunca imaginou que seria um prisioneiro. O cigarro começou como uma escolha. Um trago aqui, outro ali, a desculpa perfeita para espairecer, aliviar a tensão do dia. Mas, com o tempo, deixou de ser uma escolha. Quando percebia, já estava acendendo outro. Era quase automático. Ele precisava daquilo. Pelo menos, era o que dizia para si mesmo. Ele tentou parar algumas vezes. Prometeu que aquele seria o último. Mas sempre havia um motivo para continuar. O estresse, o trânsito, um café depois do almoço, a pressão no trabalho. “Amanhã eu paro”, dizia, enquanto sentia a fumaça invadir os pulmões.
Até que uma noite ele olhou para as mãos e sentiu nojo. Não era só um vício. Era um laço. Uma corrente invisível. Algo dentro dele gritava: Você não tem controle sobre isso. Você é refém.
E foi naquele instante que ele percebeu: precisava marcar o seu Dia D.
Na Segunda Guerra Mundial, o Dia D foi o primeiro dia da estratégia da vitória. Em 6 de junho de 1944, milhares de soldados desembarcaram na Normandia. Eles sabiam que não seria fácil. Que levaria tempo. Mas eles tinham uma certeza: aquele era o dia em que a guerra começava a virar.
Rodrigo precisava do seu próprio Dia D. O dia em que ele decidiria que não aceitaria mais viver sob aquele domínio. No início, ele pensou que bastaria querer. Mas logo percebeu que o inimigo não entrega territórios facilmente. A cada manhã, um novo ataque. O cheiro do cigarro de outra pessoa despertava a vontade. O hábito de acender um cigarro ao sair do trabalho parecia cravado em sua mente. Pensamentos insistentes surgiam: Só um. Só hoje. Você não precisa parar de vez. Vá devagar.
Rodrigo percebeu que a verdadeira guerra não estava no cigarro, mas na sua mente.
“Pois a nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais.” (Efésios 6:12)
Ele começou a entender como o inimigo agia. Primeiro, implantava uma semente: Você nunca vai conseguir parar. Depois, alimentava a dúvida: Se você falhar, vai se frustrar, então é melhor nem tentar.
Aquelas palavras ecoavam como fortalezas invisíveis. Ele se lembrou do que diz a Palavra:
“Porque como ele pensa em seu coração, assim ele é.” (Provérbios 23:7)
Se ele quisesse vencer, precisava renovar sua mente.
Os primeiros dias foram uma batalha. Ele sentia os efeitos da abstinência, a irritação, a tentação de ceder. Mas, em vez de se entregar, começou a declarar verdades:
“Eu lhes envio a promessa de meu Pai; mas fiquem na cidade até serem revestidos do poder do alto.” (Lucas 24:49) “Maior é o que está em nós do que o que está no mundo.” (1 João 4:4)
Cada dia era uma trincheira conquistada.
Foi então que ele percebeu: o Dia D não era sobre perfeição, mas sobre perseverança. Na Segunda Guerra, o Dia D não foi o fim da luta. Foram necessários mais 11 meses de guerra até a vitória final, o Dia V. Com Rodrigo, não foi diferente. Não foram 11 meses, mas houve dias difíceis. Mas ele se manteve firme. Ele se revestiu da armadura de Deus. “Vistam toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo.” (Efésios 6:11)
E então, um dia, sem perceber, o cigarro não era mais parte da sua vida. A vontade havia desaparecido. O vício já não tinha mais domínio sobre ele. Rodrigo teve seu Dia V. A vitória chegou, porque ele decidiu guerrear. E você? O que tem te aprisionado? Talvez não seja o cigarro. Talvez seja a ansiedade, o medo, a procrastinação, um ciclo de relacionamentos destrutivos. Mas a verdade é que todos temos fortalezas que precisam ser derrubadas. O inimigo quer que você continue adiando, que pense que ainda não está pronto. Mas a vitória final só chega para aqueles que entram na guerra.
Seu Dia D está diante de você. Porque o Dia V já está garantido. No fim não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser.
Love love love, Lu.
*Como sócia da ExTrago, uma empresa multidisciplinar de saúde, testemunho diariamente a batalha invisível que milhares de pessoas enfrentam contra a dependência da nicotina. Essa luta vai além do físico; é também uma batalha espiritual. Para vencê-la, é fundamental compreender as estratégias do inimigo e combatê-lo de forma definitiva.
