Quando o Éden se perde dentro da gente

Tem dias em que todo mundo acorda com o coração pesado, não por falta de fé, mas por excesso de barulho. Antes mesmo de abrir os olhos, já estamos preocupados com o que vem depois: o e-mail que não respondemos, o olhar que nos feriu, o futuro que ainda nem chegou. E, no meio desse turbilhão, percebemos que algo sagrado dentro de nós se cala. O Éden, aquele jardim que Deus plantou no princípio, parece distante.

Em Gênesis, o Éden era o lugar onde Deus caminhava com o homem. Um jardim perfeito, onde não havia medo, culpa nem distância. Tudo era comunhão. Mas quando Adão e Eva escolheram ouvir outra voz — a voz da dúvida, da vontade própria — o Éden se perdeu. Não porque Deus deixou de ser bom, mas porque o coração humano se desviou da Sua presença.

E, desde então, a humanidade tem tentado voltar pra lá. Só que o Éden não é apenas um jardim com árvores e rios. O Éden é a presença. É o estado de comunhão, de sintonia com o Criador. É quando o coração está alinhado com o Céu.

Isaías me lembra: o Espírito do Senhor repousa sobre nós. Ele é sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, conhecimento e… temor. E é aí que tudo muda. Porque o Éden não se perdeu para sempre, ele pode florescer novamente dentro de quem teme e ama o Senhor. Temer a Deus não é viver com medo, é viver em reverência, uma admiração tão profunda que gera obediência, entrega e respeito. É viver com o coração prostrado, mesmo quando o corpo está em pé. É manter o trono do coração ocupado pelo único que é digno. Só que, nos dias de hoje, o trono anda concorrido, né?!

Tem gente que o entrega ao trabalho. Outros, à necessidade de aprovação. Há quem viva para o dinheiro, para a estética, para o controle ou para o conhecimento. Cada um cultiva o seu próprio altar e nem percebe que o jardim vai murchando aos poucos. A preocupação contínua denuncia quem é o nosso deus.
O que te ocupa, te governa. O que te tira o sono, te domina.

E então o Éden, que deveria florescer dentro de nós, se perde entre prazos, medos e distrações. O altar se enche de ídolos modernos (pessoas, opiniões, status, vaidades) e o temor do Senhor vai ficando abafado, como uma chama lutando para não apagar.

Mas há esperança. Porque o mesmo Espírito que fez o Éden brotar no princípio é o que pode restaurá-lo agora dentro de cada um de nós. O temor do Senhor é esse sopro que reacende o jardim. É respirar o amor de Deus até que todo outro medo perca o ar.

No amor não há medo. Onde há presença, há paz.
E onde há paz, o Éden floresce outra vez, aqui dentro, bem no centro de quem se curva diante d’Ele.

No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser.

Love love love, Lu.

  • Flavia Batista de Oliveira

    Que o nosso bondoso Pai Celestial continue sendo o SENHOR da sua vida

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