Ser mais José

A Bíblia tem algo de muito bonito: ela não muda, mas nós mudamos. E, por isso, cada leitura nos encontra em um lugar diferente do coração. Terminei pela segunda vez super encantada com o estudo de Gênesis, mas com outro tipo de atenção. A Palavra continuava ali,  mas quem havia mudado era eu. E, como acontece com tudo que é vivo, algo saltou aos olhos, falou mais alto dessa vez.  Desde o primeiro contato, a história de José do Egito sempre mexeu comigo. Mas agora, grávida do meu José, ela veio com mais peso.

Quando escolhemos o nome do nosso filho, queríamos algo forte. Um nome que tivesse história e carregasse significado.  A princípio, seria apenas José. E sim, por causa do José do Egito. O Pedro veio depois, e eu explico em um segundo momento. Mas, ao terminar essa leitura, tive a certeza de que José não era apenas um nome bonito, era mais que isso.  José, na Bíblia, é a prova de que caráter não depende de cenário. Ele não se perdeu quando foi esquecido,  não se corrompeu quando foi promovido e não se vingou quando teve poder nas mãos.

José nos ensina que prosperidade revela quem somos, não nos transforma. Ele tinha um coração que não se deslumbra com prestígio, nem se intoxica com milagres. Um coração justo, mas firme. Capaz de perdoar, de restaurar, de seguir adiante sem carregar rancor. Um coração que teme a Deus e, exatamente por isso, sabe liderar. José assume liderança com submissão, governa sem se colocar no lugar de Deus, age com excelência mesmo quando ninguém está olhando, porque ele sabe que Deus vê.

A Bíblia diz que “o Senhor era com José” (Gênesis 39:21), e talvez esse seja o maior elogio que alguém pode receber. Desejo que o meu filho carregue esse tipo de força. Não a que grita, mas a que permanece.
Não a que impõe, mas a que sustenta. Um coração bondoso que não é sinônimo de fraqueza. Um homem cheio de Deus, perceptível aos que o cercam, pela própria vida. Íntegro, comprometido e consciente de que dons são concedidos por Deus e, por isso mesmo, devem ser administrados com temor.

Que reconheça o favor de Deus, mas não terceirize a responsabilidade e saiba que graça não anula ação.
Que entenda que ser escolhido não o isenta de escolher o certo todos os dias. E, enquanto escrevo sobre o meu José, percebo que essa oração não é só para ele. É para mim…para nós.  Que possamos ser mais José.


Em um mundo que confunde poder com vaidade, sucesso com aplauso e liderança com controle. Que sejamos daqueles que, mesmo quando tudo muda, permanecem fiéis. Porque, o maior sonho não é chegar ao palácio, é não perder o coração no caminho até ele.

No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser. 

Love love love, Lu.

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