Durante muito tempo, eu não suportava ouvir a palavra submissão.
Ela parecia carregar correntes. Me lembro de como meu coração se fechava sempre que o assunto surgia: submissão era sinônimo de silenciamento, desigualdade, perda de voz. E eu não estava sozinha nesse sentimento.
Para muitas mulheres, essa palavra soa como ameaça. E não sem motivo: ela foi usada, e ainda é, como instrumento de opressão em culturas, sistemas patriarcais e até em discursos religiosos distorcidos. Submissão se confundiu com subserviência, e o resultado foi medo. Eu também tive medo. Medo de desaparecer. Medo de perder minha identidade. Medo de me tornar sombra de alguém.
Mas foi preciso um longo processo de desconstrução para que eu entendesse que aquilo que eu rejeitava não era a submissão bíblica, mas a caricatura criada pelo mundo. No livro Uma Vida com Propósitos, Rick Warren fala sobre “render-se e submissão”. Ele explica que se entregar a Deus não é um ato de fraqueza, mas de confiança. E foi lendo esse livro e a Bíblia que aconteceu a virada de chave que começou a abrir a minha mente e o meu coração.
Submissão, percebi, não é ficar inerte. É agir alinhada à vontade de Deus. É confiar n’Ele quando não entendo, obedecer quando o meu impulso grita o contrário, entregar não apenas as áreas fáceis, mas também aquelas que mais me custam. Não se trata de perder valor, mas de alinhar meu coração ao plano perfeito. Não é um evento único, mas uma decisão diária.
O mundo enxerga submissão como inferioridade. Mas a Bíblia fala de outra coisa. Efésios 5:21 começa dizendo: “Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo.” É submissão mútua, dentro de um corpo, de uma missão. Não é sobre mandar ou obedecer, mas sobre cooperação em amor.
O modelo não é a escravidão, mas a relação da Igreja com Cristo: um ciclo de amor sacrificial do marido e de respeito da esposa.
E o maior exemplo é o próprio Jesus, que se submeteu ao Pai sem perder Sua identidade, Seu valor ou Sua glória (Filipenses 2:5-8).
O que eu descobri e precisei admitir foi que o meu apego às vontades era, no fundo, egoísmo. Eu chamava de liberdade, mas era prisão. Porque viver tentando controlar tudo cansa, esgota e sufoca.
Quando comecei a abrir mão do meu próprio controle, percebi que não estava perdendo nada, estava, na verdade, sendo liberta.
Liberta da necessidade de ter razão o tempo todo. Liberta da ansiedade de ter que sustentar tudo sozinha. Submissão não me apagou; me trouxe leveza. Não roubou minha voz; me ensinou a usá-la com sabedoria. Não anulou minha identidade; revelou o que Deus queria fazer através de mim.
Submissão bíblica é escolha voluntária, fruto do amor. É confiança ativa. É diálogo, não silêncio. É respeito, não medo. Subserviência é o contrário: é opressão, imposição, controle tóxico. A Bíblia jamais endossou esse tipo de abuso.Hoje, quando penso em submissão, penso em descanso. Penso em saber que não preciso carregar sozinha o peso da vida. Não é simples, nem sempre é fácil.
Mas é possível e é transformador.
Submissão não é o fim da liberdade da mulher. É a expressão de sua fé em Deus. E é importante dizer: submissão nada tem a ver com abrir mão da sua independência emocional ou financeira. Isso não contrasta com a submissão; pelo contrário, fortalece o coração para vivê-la de forma plena. Porque submissão e liberdade não se excluem: se completam quando o amor é o fundamento.
No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus, diz que é para ser.
Love love love, Lu.
