Prioridade não é circunstancial. Se é circunstancial, não é prioridade.

Há uma linha tão fina entre paixão e fanatismo que, muitas vezes, sequer percebemos quando a atravessamos. Todos temos algo que nos move: um time de futebol, um hobby, uma causa. São pedaços do que somos, reflexos de nossa história. Mas quando algo passa a dominar nossas escolhas, tomar o lugar do que é essencial e desviar nosso foco do que realmente importa, precisamos parar, refletir e, muito provavelmente, recalcular a rota.

O fanatismo é traiçoeiro. Ele se disfarça de entusiasmo, mas tem um custo alto: consome o tempo, rouba a atenção e, muitas vezes, cria barreiras entre nós e quem amamos. Nas relações, essa distorção se torna ainda mais evidente. Uma vez ouvi: “Não normalizem o que é comum. Muita coisa hoje é comum, mas não é normal.” A frase ressoou em mim. Afinal, não é porque algo é amplamente aceito que é saudável ou correto.

A Bíblia ensina que qualquer coisa que toma o lugar de Deus em nosso coração se torna idolatria. No livro de Êxodo, lemos: “Não terás outros deuses além de mim” (20:3). Esse versículo não se limita a ídolos físicos ou imagens, mas se aplica a tudo que ganha uma prioridade que deveria ser exclusiva de Deus: um time, uma meta, uma causa. Quando colocamos algo como o centro de nossa identidade, desviamos nossos afetos do que realmente importa: nosso relacionamento com Deus e com as pessoas que amamos.

O problema não é o futebol, a causa, o hobby ou qualquer outra paixão que você tenha. O problema é quando algo ultrapassa os limites da razão e passa a ditar o curso de nossas vidas. Paulo, em 1 Coríntios 6:12, nos alerta: “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não deixarei que nada me domine.” Essa reflexão é fundamental porque o fanatismo, em sua essência, é um tipo de dominação — uma prisão disfarçada de liberdade.

Quando o fanatismo invade a dinâmica familiar, por exemplo, cria um desequilíbrio perigoso. Não só quem está ao lado sente insegurança, mas também o relacionamento como um todo perde sua base. Família é divina. Não há outro jeito de dizer isso. Efésios 5:25 nos lembra que o amor no contexto familiar deve ser semelhante ao amor sacrificial de Cristo pela Igreja. Isso significa colocar o bem-estar da família acima de paixões momentâneas.

Cresci em um ambiente onde paixões eram saudáveis, mas não desmedidas. Nada ultrapassava os limites do razoável ou se tornava obsessão. Essa é a diferença entre viver uma paixão e ser dominado por ela. O fanatismo não é apenas uma questão pessoal; ele afeta tudo ao nosso redor. Como Chris Webb escreveu em um devocional que li recentemente: “Não podemos amar causas. Só podemos amar pessoas.”

Essa é uma lição que vale para todos. Quando priorizamos causas, times ou outros interesses acima de Deus e das pessoas, perdemos o verdadeiro propósito. O amor a Deus deve ser o centro. O amor ao próximo deve ser a extensão desse centro. Tudo o que nos afasta dessa essência precisa ser repensado.

O que domina o seu coração hoje? O que ocupa mais tempo e energia do que deveria? Que nunca deixemos que paixões passageiras roubem o lugar do que é eterno. Como em Mateus 22:37-39, que possamos amar a Deus acima de tudo e ao próximo como a nós mesmos. Isso é prioridade. O resto é circunstância.

Love love love, Lu.

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