Quando a mão, de repente, vai para o alto.

Eu lembro da primeira vez que fui para a igreja. A Gabi, do meu trabalho, tinha separado um lugar para mim. Era um dia especial, o dia do batismo. Chorei. Não entendia de onde vinha o choro, mas me emocionei com a entrega e a emoção das pessoas. Dentro de mim, eu sabia: queria sentir aquilo.

Lembro também de quando decidi, com meu namorado, viver um relacionamento baseado em Deus, firmado na rocha. A três. Porque já tinha vivido experiências anteriores onde Deus não fazia parte da composição, e por nossa conta e risco, a chance de dar errado era enorme. 

E então veio a decisão: reconheci que regendo a minha própria vida, não estava indo — e não iria — para os caminhos que eu merecia e que Deus tinha para mim. Rendida, decidi que ir à igreja seria parte da minha rotina. Não por obrigação, mas porque eu queria ser uma mulher virtuosa, melhorar como ser humano, me sentir bem com o mundo e comigo mesma. No início, eu ia tímida. Ficava na minha, ouvia. Não entendia o levantar das mãos no louvor. Até que um dia, senti tão forte a presença do Espírito Santo que me vi, sem perceber, com as mãos para o alto, louvando. Rendi-me por completo. Desde então, minha mão nunca mais desceu. Meu joelho encontra o chão com frequência. Sem receio, sem medo. Entregue.

Há um tempo, eu não entendia. Via aquelas pessoas que falavam de Deus com tanta paixão, que moldavam suas vidas ao redor da fé, e pensava: “Mas por quê? Por que tanta devoção? Por que viver dessa forma?” Confesso que, em algum momento, já julguei. Pensava que não passava de exagero, de uma tentativa de impor algo aos outros. Talvez você também já tenha se sentido assim. Já se incomodou, não pela fé em si, mas por não entender o que se passava no coração dessas pessoas.

Hoje, do lado de cá, eu vejo as coisas de forma diferente. Não porque algo me foi imposto, mas porque algo em mim mudou. Falar de Deus, viver para Ele, não é uma obrigação. É uma resposta natural à transformação que acontece quando a gente sente a bondade de Deus de perto. É querer compartilhar a leveza que Ele coloca em nossa vida, é desejar que todos possam provar daquilo que é bom, perfeito e agradável.

Eu lembro de uma vez, em um café lotado, quando vi uma mulher sentada sozinha, lendo a Bíblia. Ela não parecia preocupada com os olhares curiosos ou com os cochichos ao redor. Ela estava serena, mergulhada em algo que eu não podia compreender na época. Fiquei olhando de longe, tentando entender o que movia aquela mulher a carregar a fé dela tão à vista. Anos depois, percebo que não se tratava de ostentação. Era natural. Quando se vive pela Palavra, ela transborda. E é impossível guardá-la só para nós.

Hoje, eu sinto isso de forma pessoal. Quando me sento para escrever, mesmo ao falar de algo simples e cotidiano — uma conversa na hora do almoço, o silêncio de uma tarde qualquer, o sabor de um café, em uma caminhada na praia — tudo ganha um novo significado. Começo a enxergar além do que é visível. Se o meu filtro da vida antes mesmo de virar cristã já era positivo, hoje vejo com os olhos do espírito, buscando a mão de Deus nos pequenos detalhes. E é por isso que minhas palavras não conseguem mais se distanciar d’Ele. Mesmo que eu queira narrar algo extremamente banal, o olhar espiritual sempre encontra uma forma de aparecer.

A vida com Jesus é assim. E quando a gente experimenta isso, quando sente a leveza que vem da Graça, simplesmente não quer mais viver de outro jeito.

Por isso, ao escrever hoje, eu não consigo me afastar da Palavra. Mesmo nas coisas mais simples, ela está ali, como um filtro que transforma tudo o que vejo. Eu não quero me distanciar. Quero perseverar. Quero que, de alguma forma, cada palavra que escrevo seja um reflexo da bondade de Deus, para que, quem sabe, você também possa enxergar e sentir um pouco do que eu sinto também. No fim, não é como o mundo diz que é para ser, mas sim como Jesus diz que é.

Love love love, Lu.

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