Falar sobre fé sempre foi arriscado, desde os primórdios, e agora, em tempos de redes sociais, ainda mais. O curioso é que, muitas vezes, quem fala sobre fé não o faz para convencer ninguém ou para se colocar acima dos outros – mas porque vive essa realidade. Porque a fé atravessa e transforma, dia após dia. Ainda assim, basta compartilhar uma experiência ou uma reflexão sincera sobre Deus e a vida para que, de imediato, surjam os fiscais da religião.
Eles estão sempre atentos, com a pedra no bolso. Prontos para apontar qualquer deslize, qualquer palavra que – na interpretação deles – não condiz com “o verdadeiro evangelho”. Você posta sobre um versículo que lhe tocou? “Mas e aquele outro versículo que você está ignorando?” Você fala sobre transformação? “Virou coaching de Deus.”
E assim, no cuidado por “defender” a fé, essas pessoas acabam se tornando justamente aquelas que afastam os outros de Deus. Pois ninguém aguenta ser policiado o tempo todo. Ninguém aguenta tentar falar sobre Cristo e receber em troca um sermão sobre como não está falando direito. A verdade é que a patrulha religiosa cansa. Cansa porque transforma a fé em um campo minado, onde qualquer passo pode ser um erro imperdoável.
E é curioso pensar que Jesus nunca agiu assim. Jesus não apontou o pecado da mulher samaritana como uma acusação, mas a chamou para uma conversa que transformou sua vida. Enquanto isso, os fariseus ficaram horrorizados com o fato de Jesus comer com pecadores.
Parece que alguns não perceberam que tomaram o lugar dos fariseus. Querem tanto proteger a santidade que se esqueceram do amor. Querem tanto corrigir que já não sabem acolher. Tornaram-se especialistas em rebater qualquer argumento, mas perderam a capacidade de ouvir uma história e simplesmente se alegrar com o que Deus tem feito na vida dos outros.
Ninguém precisa defender sua experiência com Deus com argumentos e certificações teológicas, se ela é válida. Não deveríamos precisar nos preocupar se estamos dizendo tudo com os termos certos para não sermos “cancelados” pela ala religiosa da internet. Deus sempre se revelou de forma simples, mas a gente insiste em complicar.
A jornada cristã não se trata de alcançar a perfeição, mas de seguir avançando, deixando para trás o que já passou e mantendo os olhos fixos no alvo: Cristo. O evangelho nos desconstrói para que possamos ser reconstruídos nele, e esse processo não acontece de uma vez. Precisamos ser orientados e discipulados sim, mas não da forma como a maioria hoje ataca, em vez de orientar.
O Espírito Santo age no tempo certo. Nosso papel não é medir o progresso dos outros, mas sim orar para que o Espírito Santo trabalhe na vida de cada um conforme o Seu tempo. Que nossa busca não seja por reconhecimento humano, mas por uma vida genuinamente transformada. A integridade de cada um não é uma competição de quem é mais crente.
Estamos aqui para viver a fé que transforma. Pois cada um de nós sabe de onde Deus nos tirou, o que Ele tem feito em nossas vidas e que Sua graça é maior do que qualquer tentativa humana de regulá-la. Então, seguimos. Compartilhando, testemunhando e, quando o peso da patrulha for demais, lembrando que, no fim das contas, nossa fé não precisa da validação de ninguém – só de Deus.
No fim não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser.
Love love love, Lu.
