A mulher que quero ser

Sempre que leio Provérbios 31, sinto um misto de admiração e desafio. Aquela mulher forte, sábia, diligente e temente a Deus parece, muitas vezes, tão distante. Ela cuida, planeja, negocia, serve, fala com sabedoria e tem sua força alicerçada no Senhor. Não é perfeita, mas é inteira. Inteira em seu propósito, inteira no cuidado com sua casa e com sua fé. E então penso em Débora. Juíza, profetisa, mãe em Israel. Em um tempo de guerra, quando os homens hesitaram, ela se levantou.


Não porque queria um lugar de destaque, mas porque ouviu a voz de Deus e disse sim. Débora me mostra que coragem não é ausência de medo; é obedecer mesmo quando parece improvável. Entre uma e outra, percebo que a mulher que quero ser está nesse encontro:
Quero a sabedoria e a diligência da mulher virtuosa de Provérbios 31, aquela que entende que sua força vem do Senhor e não de si mesma. E quero a ousadia e a fé de Débora, que não se esconde atrás das circunstâncias, mas se coloca na brecha, lidera com humildade e inspira coragem. Talvez ser mulher, aos olhos de Deus, seja isso: viver no equilíbrio entre a doçura do cuidado e a firmeza da liderança; entre servir e se posicionar; entre silenciar para ouvir e falar na hora certa.

Que, todos os dias, eu escolha esse caminho. Que minhas mãos trabalhem, meu coração descanse, da minha boca saia sabedoria e meus pés não temam o campo de batalha. Que a minha força seja d’Ele, e não minha.
E que, no fim, ao olhar para mim, vejam menos de mim e mais d’Ele. Amanhã faço 34 anos. E hoje, na véspera, não tem despedida nem balanço. Não tem lista de metas. Tem só um pedido: Ser menos de mim e mais de Jesus.
Menos controle e mais filha. Mais entregue. Menos preocupada. Mais usada. Menos distraída. Porque eu sei, lá no fundo, que esse é o único jeito de ser a mulher que sempre quis ser: aquela que não se define pelo que faz, mas por quem pertence.


A mulher que olha para Provérbios 31 e para Débora não como um peso inalcançável, mas como um convite diário a caminhar com Deus. Eu quero buscar menos fora e mais dentro. Quero encontrar o caminho de casa quando a vida tentar me roubar. Já conheci diversas versões minhas ao longo de 34 anos, mas a que mais me orgulho é a de filha obediente. E é nela que quero permanecer. Um novo ciclo começa. Tudo novo, de novo, com um monte de páginas em branco. Que neles, eu siga escrevendo a história da mulher que quero ser até que, um dia, seja só reflexo d’Ele.

Em busca da minha melhor versão. 

No fim não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser. 

Love love love, Lu.

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