A voz que você escolhe ouvir

A voz tem poder. Desde pequenos, somos moldados por vozes que nos cercam. Os conselhos dos pais, os incentivos dos professores, as palavras dos amigos, as letras das músicas que ouvimos repetidamente. Algumas dessas vozes nos encorajam, nos elevam, nos fazem crescer. Outras nos puxam para trás, nos diminuem, nos dão medo, nos fazem duvidar de quem somos e do que podemos ser.

Na Bíblia, há inúmeros exemplos do impacto que uma voz pode ter sobre um destino. Adão e Eva estavam no paraíso, em comunhão direta com Deus, mas bastou uma única conversa errada para que tudo mudasse. A serpente, não gritou, não impôs, apenas sugeriu. “Será que foi isso mesmo que Deus disse?” E na dúvida, eles cederam. Como é fácil se perder quando damos ouvidos à voz errada.

O mesmo aconteceu com Caim. Deus havia lhe falado diretamente, advertido sobre o perigo que o rondava. Mas a voz da inveja e do ressentimento falou mais alto. Ele a alimentou, permitiu que crescesse, até que se tornasse incontrolável. O resultado foi a tragédia.

O que dizer então do povo de Israel no deserto? Tinham a promessa, o cuidado diário de Deus, mas a voz da murmuração sempre parecia mais interessante. “Antes era melhor, por que viemos para cá?” A insatisfação tomava conta, e por ouvirem a voz errada, ficaram por mais quarenta anos no deserto sem alcançar a terra prometida. Se olharmos ao nosso redor, veremos que a dinâmica não mudou, continua a mesma. Diariamente, somos bombardeados por vozes que disputam nossa atenção e nosso coração. A voz que nos faz acreditar que não somos bons o suficiente. A que sussurra que nunca vamos conseguir. A que insiste que devemos nos conformar, que não há sentido em tentar.

Mas também há outra voz. A que nos lembra quem somos. A que nos levanta quando caímos. A que nos desafia a sermos melhores, a amarmos mais, a perdoarmos, a crescermos. É a voz que nos chama pelo nome e nos convida a seguir pelo caminho da vida.

Ouvir essa voz não tem fórmula mágica, não tem atalho, não tem um caminho mais curto, apenas disciplina. Requer intencionalidade, porque em meio a tanto ruído, precisamos escolher a quem dar ouvidos. Requer silêncio, porque a verdade nem sempre se impõe pelo grito, mas se revela na quietude. Requer obediência, porque reconhecer a voz certa não basta; é preciso segui-la.

A quem você tem dado ouvidos? A voz que te diminui ou a que te impulsiona? A que te aprisiona ou a que te liberta? O caminho que seguimos é, muitas vezes, consequência direta das vozes que escolhemos escutar. Que sejamos como as ovelhas do Bom Pastor, que reconhecem a Sua voz e O seguem. Porque há vida, direção e identidade na voz dEle.

No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser.

*Leia João 10:1-5 e João 10:10

Love love love, Lu.

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