Eu não era de chorar. Não porque me ensinaram que chorar era fraqueza—meus pais nunca disseram “engole o choro”—, mas talvez porque eu gostava de me sentir forte. Como se segurar as lágrimas fosse um escudo contra a vulnerabilidade. Como se endurecer o coração me protegesse da dor. Mas Deus tem seu jeito de quebrar barreiras, de suavizar a rigidez, de transformar pedra em carne.
Hoje, eu choro. Choro muito. Choro quando sou tocada pelo Espírito Santo, na praia, sentada no sofá, vendo um vídeo, num culto, ao orar em família, comendo. Um abismo foi criado no meu coração, mas não um abismo de vazio—um abismo de entrega, de transbordo que não existia antes.
Choro quando vejo a alegria do meu irmão ao realizar algo que ele esperou tanto. Choro quando ajudo alguém e percebo que, no fundo, quem mais foi transformada fui eu, choro ouvindo uma música, choro vendo um vídeo de um desconhecido pelo celular. Choro de alegria, de redenção, de reconhecimento da minha própria fraqueza.
Choro porque não sou forte. Choro porque sou falha. Choro para me redimir. Choro porque preciso, quero e gosto.
A primeira vez que vi meu amor chorando enquanto adorava a Deus, entendi que a verdadeira força está em se permitir sentir. Nada me emociona mais. Deus vence a dureza do nosso coração, supera nossa resistência egoísta, nossa rebeldia. Crucifica nosso orgulho e nos salva de nós mesmos.
Antes, eu segurava as lágrimas como se fossem um sinal de fraqueza. Hoje, sei que elas são uma expressão de algo muito maior do que eu. Elas são o reflexo de um coração que aprendeu a sentir. Um coração que foi quebrantado, moldado, refeito. Jesus nos torna mais humanos. Nos ensina que humildade não é sobre se diminuir, mas sobre reconhecer que precisamos Dele. Nos torna mais amorosos, mais dispostos a enxergar o outro. Nos ensina que um coração de carne sente dor, mas também sente alegria com muito mais intensidade.
Pelos motivos certos e felizes, nunca pensei na minha vida que fosse sentir saudade de chorar. Se fico muito tempo sem derramar uma lágrima, já sinto como se tivesse algum problema comigo. E, se for para chorar, que seja sempre por aquilo que Deus tem feito em mim e através de mim. Que seja por gratidão, por compaixão, por amor. Que seja um choro que me lembre, dia após dia, que meu coração não é mais de pedra.
No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser.
Love love love, Lu.
