Amor em carne viva

Desde criança, assistir à Paixão de Cristo me deixava desconfortável. Não era o tipo de filme que eu conseguia ver até o fim. Aquelas cenas tão cruas, tão violentas, me doíam mais do que eu sabia explicar. Sempre que a cruz aparecia, meus olhos buscavam outra direção. E meu coração, sem entender muito bem, se enchia de indignação: Como podem ter sido tão cruéis com alguém tão bom?

Por muito tempo, essa indignação foi só isso: um incômodo que me fazia evitar, virar a página, mudar de canal. A cruz me confrontava. E eu corria. Porque não entendia. Porque me feria. Porque me expunha.

Mas isso mudou.
Não foi de uma vez, foi como um processo, uma revelação que vai chegando aos poucos, mas que quando se instala, muda tudo. Quanto mais eu mergulho na Palavra, mais eu entendo que aquele desconforto não era um erro. Era um convite. A dor da cruz não foi feita para ser ignorada, mas para ser sentida. Para nos mover, nos comover, nos transformar.

Hoje, eu entendo.
Entendo que a Paixão de Cristo não é apenas uma história triste, é a prova de um amor incompreensível.
Entendo que o incômodo que me fazia desviar o olhar era, na verdade, um chamado à consciência.
Entendo que a brutalidade não foi acidental, nem injusta, foi escolha. Escolha de um Deus que poderia ter se poupado, mas preferiu se entregar. Por mim. Por nós.

E quando a gente entende isso, de verdade, algo muda dentro da gente.
Hoje, eu quero olhar. Quero contemplar cada passo de Jesus até o Gólgota. Quero me emocionar, não com a dor em si, mas com a profundidade do amor que o levou até lá. Quero sofrer junto, não como mártir, mas como filha grata. Quero ser tocada, mexida, transformada.

Antes, eu corria do Evangelho porque ele me confrontava. Hoje, corro pra ele por exatamente a mesma razão.

Porque é ali, no confronto, que me encontro.
É ali, no desconforto da cruz, que descubro quem sou e quem Ele é. É ali, no escândalo da graça, que me sinto amada mesmo nos meus piores dias.

Ele nunca me abandonou.
Nem quando eu desviava o olhar.
Nem quando eu fugia do confronto.
Nem quando eu preferia o silêncio à verdade.

Hoje, eu não fujo mais.
Hoje, eu escolho olhar.
Escolho sofrer junto.
Escolho me entregar.
Porque Ele escolheu a cruz — por mim. E eu o escolho.

No fim, não é como mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser.

Love love love, Lu.

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