*Antes de começar a ler o texto, talvez você precise saber: na Bíblia, a Páscoa é uma festa instituída por Deus para lembrar o livramento do povo de Israel da escravidão no Egito. Nessa fuga, eles não tinham tempo para esperar a massa do pão fermentar, então comeram o pão ázimo, um pão sem fermento, seco e simples, que passou a simbolizar tanto a pressa da libertação quanto a lembrança da dependência total de Deus no deserto. Ao longo do tempo, esse pão virou também um símbolo de pureza, humildade e memória. E quando falo aqui sobre “Egito”, não estou falando apenas de geografia. Falo de escravidões internas, de ciclos viciosos, de uma vida longe de Deus. Falo de tudo aquilo de que Ele nos resgata quando escolhemos confiar. Esse texto é sobre isso: sobre sair do Egito de dentro pra fora.
Eu mesma já fui do time que torcia o nariz. “Ah, pronto, agora virou crente.” Achava exagero. Achava estranho. Achava demais. Quando alguém dizia ter encontrado Jesus, meu primeiro pensamento era sempre o mesmo: que lavagem cerebral é essa? Pronto, agora só fala disso. Agora vive em outro mundo. Nunca entendi como alguém podia mudar tanto, tão de repente.
Até que aconteceu comigo. E é impossível explicar. Só vivendo. Só Jesus.
Não foi uma troca de ideia. Foi uma troca de vida. Não foi um novo hábito. Foi uma nova natureza. O que ninguém me contou – e nem adiantava contar – é que esse “virar” não é uma substituição de identidade. É uma ressurreição. Não foi um novo hobby, uma filosofia de vida ou uma tentativa de me tornar alguém melhor. Foi cruz. Foi renascimento. Foi Jesus.
Me arrancou da escravidão sem que eu soubesse que era escrava. Me tirou de um Egito que eu mesma havia decorado com luzes artificiais, onde chamava de liberdade aquilo que, na verdade, me acorrentava. A antiga Luísa, como costumo brincar, era do Antigo Testamento. Reagia no impulso, tentava resolver tudo sozinha, fazia tudo do meu jeito, mesmo que isso me levasse ao cansaço, à ansiedade, à repetição dos mesmos ciclos. Eu era escrava, e nem sabia. Mas quando Jesus entrou, tudo mudou. Tudo se fez novo. Dizer sim pra Ele aconteceu num instante, mas viver esse sim é um caminho longo. O povo de Israel saiu do Egito em uma noite. Mas o Egito demorou 40 anos pra sair deles. E às vezes, ele ainda tenta sussurrar em mim. Vem em forma de pensamentos antigos, de atitudes automáticas, de vontades que não combinam mais com a nova vida.
É por isso que existe o pão sem fermento. O pão da aflição. O pão da memória. Na Páscoa, esse pão duro, simples, sem graça, era o alimento do povo. Não dava prazer, mas dava lembrança. Lembrança da pressa da fuga, da escravidão do passado, da dependência total de Deus no deserto. Lembrança de que a vida nova é leve, mas não é fácil. É limpa, mas não é rasa. Hoje, cada vez que lembro da minha velha eu, a Luísa de antes de Cristo, entendo a importância desse pão. Ele me impede de romantizar o Egito. Me lembra de onde fui tirada. Me lembra que não fui eu quem me resgatou. E que a liberdade não é esquecer o passado, mas escolher todos os dias não voltar pra lá. Essa é a verdadeira Páscoa. A saída da escravidão do pecado. A consciência constante de que, sem Jesus, o velho eu voltaria correndo pro cativeiro.
E que só com Ele, sou livre de verdade.
No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser.
Love love love, Lu.
