Passei boa parte da vida acreditando que o certo era sentir. Se eu não sentia vontade, não fazia. Se o coração dizia “vai”, eu ia. Se dizia “não”, eu parava. Era simples assim. Afinal, tudo ao meu redor reforçava essa ideia: siga seu coração, faça o que te faz feliz, escute seus sentimentos. E eu seguia.
Mas um dia percebi que viver assim era como construir castelos de areia. Bonitos por um tempo, mas sem estrutura para resistir a uma maré forte. No amor, por exemplo, por muito tempo acreditei que o importante era sentir. Que estar apaixonada era uma força mágica que faria tudo dar certo. Até que entendi que o amor não é apenas um sentimento, mas uma escolha diária, uma construção. Como um casal que acorda em dias ruins e ainda assim se escolhe (serão vários). Como pais que, cansados, levantam no meio da noite para cuidar do filho. Como alguém que, mesmo sem vontade, decide perdoar.
No trabalho, quantas vezes já acordei sem vontade de fazer nada? Se dependesse só do que sentia, teria deixado projetos pela metade. Mas a disciplina ensina o que a emoção não sustenta. É como o atleta que treina nos dias em que tudo no corpo pede descanso. Ou o escritor que escreve mesmo quando as palavras parecem escassas. Hoje é um exemplo disso, me senti improdutiva, mas estou aqui.
E na fé… Ah, a fé. No começo, achei que precisaria sentir algo o tempo todo. Sentir a presença de Deus, sentir paz, sentir vontade de orar. Mas a verdade é que muitas vezes fiz orações sem emoção alguma. Até que entendi que Deus não nos chamou para sermos guiados pelo que sentimos, mas pelo que escolhemos. Relacionamento com os outros e com Deus é disciplina, obediência – e o sentimento é apenas um componente da equação. As coisas podem até começar com um sentimento. Não é que sentir seja errado, mas somente o sentir não basta.
Os nossos sentimentos são inconstantes, traiçoeiros. A Bíblia alerta sobre isso: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9). Se confiamos apenas no que sentimos, nos tornamos reféns da nossa própria instabilidade.
A vida sem Jesus? Dá para viver baseada apenas nos sentimentos e até ter resultados. Mas o que realmente permanece e gera frutos é o que é construído com obediência, escolhas e fidelidade. Porque um castelo sobre a areia pode ser bonito, mas um alicerçado na rocha atravessa qualquer tempestade.
Sinta, sinta muito, mas antes de sentir, escolha. Escolha a verdade antes da emoção, a obediência antes da vontade, a rocha antes da areia. Porque sentir passa, mas o que é construído em Deus permanece.
No fim não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser.
Love love love, Lu.

Lu,
Tenho uma forte influência pelo sentir!
Arrisco a dizer que é uma predominância mesmo sabe! Um apego por determinados valores para um relacionamento por exemplo, que as vezes me sinto presa nos valores que julgo importantes.
Te sigo desde o seu namoro e depois casamento com o moço que tinha casa em Campos.
Eu sinto de verdade que o que você vive hoje no seu novo relacionamento, além de muita paixão, tem admiração e um alicerce muito diferente do outro. Acho lindo e sonho viver um relacionamento como o que você tem hoje.
Já falei com você no Instagram sobre o retiro que você fez e o quanto estou tentando me conectar com Deus e ouvi-lo.
Comecei o ano em paz, sem ansiedade comparado ao período de setembro a dezembro de 2024 e sei que o tempo de Deus é diferente do nosso. No entanto, gostaria muito de viver essa virada de chave sabe…
Peço pra Deus me ajudar a construir uma nova história e quero muito entender o que Deus espera de mim!
Eu vivo sozinha em São Paulo, em um trabalho que não faz os meus olhos brilharem, mas eu sinto que o que eu preciso nesse momento não é só um novo emprego, mas sim um relacionamento, uma parceria…
Estou há muito tempo sozinha e cansada de ser sempre “eu” comigo mesma.
Enfim …
Gostei muito desse texto sobre “o sentir” e sobre fazer escolhas!
Um abraço!