Evangelho sob medida?

Sempre gostei de ouvir aquilo que me confortava. Palavras que endossavam minha fé, sem muitas exigências. Mas um dia me deparei com a frase que me atropelou: “Se você acredita no que gosta do Evangelho e rejeita o que não gosta, não é o Evangelho que você acredita, mas em si mesmo.” Uma verdade incômoda, uma dessas que nos fazem engolir seco.


A frase me recordou de uma pregação da querida pastora Shaila Manzoni que disse que o Evangelho não é um buffet onde escolhemos apenas o que nos agrada. Mas, quantas vezes tentamos fazer isso sem perceber?Pegamos aquilo que nos faz sentir bem, o que não nos confronta, e deixamos de lado as partes que exigem renúncia, obediência e humildade. Como fariseus modernos, nos orgulhamos do que fazemos certo, mas fechamos os olhos para as áreas em que precisamos de mudança. Um clássico da nossa cultura.

Me lembrei de Nicodemos. Religioso, conhecedor da Bíblia, cumpridor de regras. Aos olhos humanos, um homem irrepreensível. Mas quando encontrou Jesus, ouviu algo que desmontava toda a sua lógica: “É necessário nascer de novo”. Não bastava seguir preceitos e leis, era preciso transformação. E ali estava eu, achando que bastava minha devoção parcial, minha fé superficial enquanto Jesus me chamava para um relacionamento, para um coração regenerado.

A verdade é que temos a tendência de querer um Evangelho que caiba em nossa vida, quando na realidade, é nossa vida que precisa caber no Evangelho. Nós moldamos regras para justificar nossas falhas, reinterpretamos mandamentos para que não pesem tanto sobre nós. Dizemos “Deus quer que eu seja feliz”, quando, na verdade, Ele quer que sejamos semelhantes a Cristo. Queremos o conforto sem o compromisso, a graça sem a verdade, a salvação sem a entrega.

Mas o Evangelho é radical. Ele nos chama a renunciar a nós mesmos, a amar quem não queremos, a perdoar o imperdoável, a perder para ganhar. Não é fácil, mas é infinitamente recompensador. Ele nos ensina que fé não é um conjunto de práticas externas, mas uma transformação profunda e verdadeira.

Que possamos deixar de lado a versão conveniente do Evangelho e abraçar a versão real. Aquela que nos desconstrói, que nos molda, que nos faz novos. Não fomos chamados para adaptar a Palavra à nossa vida, mas para permitir que a Palavra transforme a nossa existência.

No fim, não se trata de como o mundo diz que deve ser, mas de como Jesus diz que é para ser.

Love love love, Lu.

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