Nunca fui santa. E não falo isso com aquele ar debochado que um dia já usei como defesa como se ser “não-santa” fosse charme, personalidade ou liberdade. No meu segundo livro, eu até escrevi uma crônica com o título: “nunca fui santa e sou pra casar”. E, hoje, quando penso naquela Luisa, sinto compaixão.
Ela estava inteira vestida com os olhos do mundo, pintada de urgências que nem eram dela, fazendo graça da própria fome espiritual sem nem perceber que tinha fome. Era uma versão de mim que buscava amor em outros lugares. E que achava, sinceramente, que santidade era palavra de vitrine de igreja distante, rígida, fora da minha realidade. Hoje eu sei: santidade nunca foi esse pedestal que a gente imagina. Santidade é caminho e cotidiano, cheio de tropeços e recomeços. É menos sobre “o que eu faço” e mais sobre “quem está me moldando enquanto eu faço”. Depois que me converti, buscar a santidade virou missão de vida, não porque eu me tornei perfeita, mas porque, finalmente, entendi que a perfeição nunca foi o convite. A entrega, sim. E é até curioso dizer isso…
Eu, que já escrevi sobre não ser santa, hoje descubro que santo não é quem nunca erra, é quem erra e volta rápido. É quem corre para os braços de Deus antes mesmo de entender como explicar o tombo. A santidade, eu aprendi, começa no secreto. No canto da cama onde abro a Bíblia com olhos inchados, na oração que não segue regra nenhuma. Em tantos pedidos meio desesperados: “Senhor, muda meu coração antes de mudar meu comportamento.” É ali, na intimidade, que Deus me desconstrói com amor e me reconstrói com paciência.
Também aprendi que santidade é um tipo de obediência que não tem nada a ver com impecabilidade. Tem a ver com um coração ensinável, e essa talvez seja a parte mais difícil. Porque, na verdade, lutar pela santidade é lutar contra nós mesmos. Contra nossas vontades desordenadas, com o orgulho que sempre acha que sabe mais, com o ego, com os vícios. Santidade é dizer “não” quando tudo em nós quer dizer “sim”.
E se tem um termômetro para a santidade, ele é o amor. O amor prático, aquele que perdoa mesmo sem ter explicação, que escuta, serve e escolhe ser humilde mesmo quando dar razão dói. Porque santidade não aparece só no culto de domingo. Às vezes ela aparece no trânsito, quando seguramos a resposta atravessada. No WhatsApp, quando decidimos não mandar aquele textão que resolveria tudo e destruiria tudo também. Ou quando escolhemos a verdade mesmo sabendo que vai custar alguma coisa. Como diz o meu pastor, “Escolha sempre a verdade que Deus vai junto.”
Sabe outra coisa? Deus, na Sua sabedoria paciente, nos coloca repetidamente em situações que revelam exatamente onde ainda somos imaturos. E não é castigo, é lapidação. Outra coisa que tenho aprendido é que santidade é comunitária.
É ter gente que puxa pra cima, que confronta com amor, que ora junto e lembra quem você é quando você esquece.
E, por último, mas o mais libertador de tudo é entender que santidade é identidade, não peso. Não busco a santidade para ser amada por Deus e sim porque já sou. Não como uma escada para alcançar o céu, mas em resposta a quem desceu até mim quando eu ainda achava graça de escrever “nunca fui santa”. E hoje, se eu fosse reescrever aquela crônica, seria diferente. Não porque eu virei santa, longe disso, mas porque eu descobri que ser santa é caminhar com quem é Santo.
É acordar e perguntar: “Jesus, como posso refletir a Ti onde meus pés pisarem hoje?” E seguir…Errando, acertando, chorando, celebrando, aprendendo, mas seguindo com Ele. Porque santidade não é destino. É caminho. E eu estou nele. Glória a Deus.
No fim não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser.
Love love love, Lu.
