O equilíbrio de não ter equilíbrio 

A ideia de equilíbrio, como algo estável e constante, é quase uma ilusão. A vida não se organiza em partes iguais. Ela se move em estações. Há momentos em que o trabalho exige mais. Outros em que a família pede presença total. Fases em que a saúde grita. Tempos em que o casamento precisa de atenção exclusiva. Dias em que os filhos ocupam tudo. E temporadas em que Deus nos chama para o silêncio, a espera e a renúncia. 

A Bíblia nunca prometeu equilíbrio perfeito. Ela fala de prioridade, obediência e discernimento. “Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu.” (Eclesiastes 3:1) O problema não é o desequilíbrio. O problema é perder a consciência do que é essencial enquanto atravessamos uma fase. Jesus viveu isso de forma muito clara. Houve momentos em que Ele se retirou para orar e deixou as multidões. Em outros, passou dias ensinando, curando e servindo sem sequer comer. Teve horas de intensa entrega… e outras de completo recolhimento. “Mas Jesus retirava-se para lugares solitários e orava.” (Lucas 5:16) Ele não buscava equilíbrio de agenda. Buscava alinhamento com o Pai. 

É por isso que, em algum momento da vida, todos nós viveremos um desequilíbrio. Uma demanda que exige mais de nós. Uma crise que puxa energia. Um chamado que consome tempo. Uma estação que pede sacrifício. E isso não significa fracasso espiritual. Significa discernimento de tempo.  O erro está em achar que tudo deve receber a mesma atenção, o mesmo peso, a mesma presença, o tempo todo. Não deve. Porque se tudo é prioridade, nada é prioridade. “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Mateus 6:33)

Tenho aprendido a reconhecer essas mudanças de estação. A perceber quando uma fase começa a se despedir, mesmo que ainda não tenha terminado completamente. Sinto que uma nova se aproxima — a da maternidade — e ela não chega de forma sutil. É um tempo de entrega que já se anuncia no corpo, na alma, nas escolhas feitas no silêncio antes mesmo do nenem chegar. 

Um tempo que exigirá de mim mais atenção, mais presença, mais renúncia do que antes ofereci a outras direções da vida. E, talvez por isso mesmo, um tempo para o qual já venho me preparando, psicologicamente e espiritualmente, não com controle, mas com disponibilidade.

 A Bíblia não fala de equilíbrio. Ela fala de ordem. Quando Deus está no centro, mesmo o desequilíbrio faz sentido. Mesmo a fase difícil produz fruto. Mesmo o cansaço tem propósito. Mesmo o escanteio temporário não vira abandono definitivo. O verdadeiro problema não é viver fases intensas. É permanecer nelas quando Deus já está nos chamando para outra estação. 

Discernir o tempo é maturidade espiritual. Aceitar o desequilíbrio como parte do processo é sabedoria. E confiar que Deus sustenta cada fase é fé. Talvez o equilíbrio que tanto buscamos não seja manter tudo estável… Mas permanecer firmes em Deus enquanto tudo se move.

No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é pra ser. 

Love love love, Lu.

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