Te escrevo enquanto você se mexe dentro de mim, como quem bate – ou chuta rsrsrs – na porta dizendo: estou aqui. Nos últimos meses, sentir você existir deixou de ser surpresa e virou constância. E isso é mágico. É uma presença silenciosa que já ocupa tudo, mesmo antes de ocupar meus braços e cada canto da nossa casa. Pensar que você já está pronto, apenas esperando a sua hora, que pode ser amanhã ou daqui alguns dias me dá frio na barriga. Não é ansiedade e nem medo. É o frio na barriga das primeiras vezes que estão por vir… e das últimas que já começaram a se despedir.
Toda vez que vou à praia, penso que pode ser a última vez indo sozinha, sozinha do jeito antigo, porque você já vem comigo, se é que me entende. O último cinema sem horário contado. O último cochilo despreocupado no meio da tarde. O último jantar sendo apenas eu e seu pai. É um sentimento agridoce. Agridoce porque toda despedida carrega uma saudade que nasce antes mesmo da ausência. Mas uma saudade curiosa: ela não pede retorno. Ela só reconhece que algo precioso está mudando de forma. Não serei a mesma.
Já imagino seu rosto, seu cheiro, as noites em claro, os desafios que não cabem em legenda nenhuma. E me preparo — espiritualmente — para agradecer até aquilo que vai cansar, doer, exigir. Porque eu orei por isso. Eu desejei isso. E tudo aquilo que a gente pede a Deus vem carregado de responsabilidade, não só de encanto. Essas primeiras vezes não voltarão. E talvez seja exatamente isso que as torne sagradas.
A sensação é a de estar na fila de uma montanha-russa: o carrinho parado, o coração acelerado, o frio na barriga apertando à medida que os dias (que já foram meses) ficam cada vez menores. Este é um tempo de espera. De silêncio atento, de uma conexão com Deus, comigo… e com você. Um tempo em que ainda sou inteira como sempre fui, mas já não sou mais só eu. E talvez a maternidade comece exatamente aqui: nesse espaço entre o que se despede e o que está prestes a nascer. Vem, filho. Na tua hora.
Love love love, Lu.
